Análise: ARMS - Neo Fusion
Análise
ARMS
18 de outubro de 2017

Desde o anúncio de ARMS, ficou claro que o objetivo da Nintendo com o título era replicar e continuar o sucesso espontâneo que Splatoon teve em 2015. Apresentando diversas variações sobre um gênero multiplayer consagrado com uma estética cartunesca e carismática, ARMS pode parecer a escolha certa para cumprir essa tarefa. Porém, por baixo de uma superfície ótima, há poucos elementos que o sustentam para fazer dele outra grande franquia da Nintendo de imediato.

Um novo ângulo para jogos de luta

2017 tem sido um ano incrivelmente forte para videogames em geral, e o gênero de luta é um dos mais representados. Além de ARMS, temos Injustice 2, Tekken 7, Pokkén DX e Marvel vs. Capcom Infinite, apenas para citar alguns. Dado isso, ARMS sucede na tarefa de se distinguir dentro do próprio gênero ao abordá-lo de forma completamente única. Além da jogabilidade centrada ao redor de braços esticáveis, o jogo se distingue em estética visual e sonora, perspectiva e controles.

O gimmick principal, os braços retráteis, é o que dita toda a jogabilidade. Na maioria dos jogos de luta, aproximar-se do oponente é essencial para vitória; em ARMS, o combate pode ser descrito como corpo-a-corpo a distância. Mesmo sabendo disso, várias vezes me surpreendi com o quão longe os meus socos realmente podiam acertar.

Apesar disso, acertá-los de fato é um desafio. Oponentes nunca ficam parados aguardando tomar um murro na cara, então é necessário prever a movimentação do oponente, assim como pensar na direção e na curva do soco. Além disso, a extensão dos braços fazem com que os jogadores fiquem vulneráveis por preciosos segundos ao dar um soco. Por sorte, temos duas mãos e usá-las de forma eficaz é outro aspecto importante do combate.

Para realizar isso tudo, contamos com algumas configurações possíveis de controle. A principal e mais divulgada pela Nintendo é a “thumbs-up grip“, na qual seguramos um Joy-Con em cada mão posicionando nossos dedões nos botões L e R. Apesar do preconceito que inevitavelmente temos acerca de controles de movimento, jogar ARMS assim é incrivelmente viável. Poder girar nossas mãos para controlar a curva dos socos ajuda muito, mas também é necessário se habituar com o método incomum de movimentação: inclinar as duas mãos simultaneamente para uma direção.

Com controles convencionais (sejam eles um par de Joy-Cons ou um Pro Controller), a tarefa de controlar os socos é um pouco mais complicada, porque é feita usando o mesmo analógico que a movimentação. Após cada soco, por alguns instantes o analógico controla o soco além do personagem. Porém, o deslocamento pela fase torna-se mais preciso usando um analógico e, com uma atualização recente permitindo a customização de controles (que, ao meu ver, era uma necessidade), este com certeza será o método preferido de muitos jogadores.

Modos e mais modos

Muitos jogos de luta, especialmente em uma primeira iteração, pecam por ter relativamente poucos personagens e modos para dar variedade ao jogo. Felizmente, este não é o caso de ARMS, que lançou com 12 personagens e já recebeu mais dois em atualizações. Pode parecer pouco quando comparado aos mais de 50 em Super Smash Bros. for Wii U, mas tratando-se de personagens inteiramente novos e com diferenças substanciais entre si, dá um bom incentivo para explorar o elenco sem parecer um exagero.

Além das lutas 1-contra-1, ARMS nos permite lutar em free-for-all (a famosa “farofa”) ou em duplas com até quatro jogadores simultaneamente em um mesmo Switch, em LAN, ou online. Também há a possibilidade de encarar o modo Grand Prix cooperativamente. Porém, sinto que nenhum desses modos funciona tão bem, por um motivo em particular: o tempo todo, a câmera do jogo fica centrada em um oponente. Isso faz com que outros oponentes sejam difíceis de acertar (pelo menos até trocar o foco da câmera com o D-pad) e o jogador fica mais vulnerável aos seus ataques. Em free-for-all, é especialmente desagradável tentar acertar um oponente quando há um outro batendo por trás das costas. Em duplas, o problema é amenizado pela necessidade dos membros de cada dupla ficarem próximos um do outro, fazendo com que geralmente ambos os oponentes fiquem em seu campo de visão.

Ainda há alguns modos baseados em esportes como vôlei, basquete e tiro ao alvo. Apesar de divertidos, também sinto que não se sustentam tão bem quanto o modo de batalha principal, mas somos obrigados a jogá-los em salas online e no modo Grand Prix.

O modo online, por sinal, é bem curioso. Ao acessar uma sala no modo Party, somos colocados junto a um grupo de cerca de dez outros jogadores. Cada um é representado por uma bolinha na tela, que se aproximam para formar grupos que se enfrentarão ou colaborarão em batalha. É um jeito curioso de fazer isso, mas também garante que jogadores nunca fiquem tempo demais esperando por uma partida; o processo vira algo dinâmico e divertido, mesmo que nem sempre possamos jogar no modo que gostaríamos. Para quem quiser jogar mais a sério, o modo ranked fornece partidas 1-contra-1 sem firulas.

O equilíbrio entre complexidade e profundidade

O maior obstáculo que ARMS tem a superar são justamente outros jogos da Nintendo saindo para Switch este ano. Por mais que ARMS seja divertido e competente em tudo que ele se propõe a fazer, é difícil apontar um aspecto que ele faça melhor que qualquer outro jogo de Switch.

Primeiramente, como jogo casual ele é divertido para jogadores inexperientes, mas é mecanicamente complexo e diferente demais para servir de porta de entrada para jogos de luta como um todo. Por esse motivo, também não é uma ótima escolha para festas com amigos que geralmente não jogam. Para esse propósito, Mario Kart 8 Deluxe é a escolha ideal.

Já para desenvolver um cenário competitivo, sinto que falta tanto precisão nos controles quanto variedade entre as batalhas para torná-lo viável e interessante. Se seu objetivo é jogar bastante online com um maior grau de estratégia, Splatoon 2 é o jogo a escolher.

E, naturalmente, para aqueles jogadores solitários que não se interessam por multiplayer, há pouquíssimo aqui para mantê-los entretidos.

Apesar de tudo isso, ARMS fornece uma base sólida que só tende a melhorar com atualizações e uma possível sequência. Seus personagens são memoráveis e sua trilha sonora, baseada em variações sobre o tema principal, é difícil de tirar da cabeça.

ARMS não é o melhor jogo para festas do Switch, nem o melhor multiplayer online, mas é competente o suficiente nos dois aspectos para ser digno de atenção. Apesar de haver jogos mais importantes neste primeiro ano do console, o novo jogo de luta da Nintendo com certeza deixa sua marca.

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Comentários

[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 18/02/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/previa/valheim/) […]

[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 14/01/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/analise/tell-me-why/) […]

[…] a alternativa não é descartada. Até mesmo tivemos uma história inédita do marsupial em Crash Bandicoot 4: It’s About Time. Poderíamos ter uma nova versão futuramente de Crash Bash – o party game da franquia […]

[…] mas também foi possível prestigiar títulos à parte dos cartunescos, como, por exemplo, o novo Tony Hawk’s Pro Skater 1+2, que resgatou a alma de um dos jogos de esporte mais icônicos de sua geração. Embora a origem […]

[…] não sendo tão inovador e debatível quanto Her Story, o título certamente conquista um espaço importante no (já não tão popular) gênero dos […]

Breath of the Wild carater família?

wishlistei

Você sabe me falar se compensa eu comprar esse ou posso jogar o original também, eu tenho o original mas não. Joguei nenhum você pode me ajudar nessa Dúvida de 259 reais kkkk

Incluindo a fonte de meu comentário.: http://www.vgchartz.com/gamedb/games.php?name=just+dance+2018&keyword=&console=&region=All&developer=&publisher=&goty_year=&genre=&boxart=Both&banner=Both&ownership=Both&results=50&order=Sales&showtotalsales=0&showtotalsales=1&showpublisher=0&showpublisher=1&showvgchartzscore=0&showvgchartzscore=1&shownasales=0&showdeveloper=0&showcriticscore=0&showcriticscore=1&showpalsales=0&showreleasedate=0&showreleasedate=1&showuserscore=0&showuserscore=1&showjapansales=0&showlastupdate=0&showlastupdate=1&showothersales=0

O que mais impressiona é que a versão mais vendida deste jogo foi a do Nintendo Switch, seguida da fucking versão de Wii! TEM GENTE COMPRANDO JUSTA DANCE PRA WII EM 218! E vendeu bem mais que no One... Dificilmente um JD 2019 vai ficar de fora do velho de guerra da Nintendo!

<3

Este jogo é fantástico! Muito bom evoluir todos os personagens. Os personagens da 2ª geração ficam ainda mais fortes. Celice, filho de Sigurd, torna-se quase um Deus, o deixei com 80 de HP, o máximo, como outros status que ficaram no seu máximo, mais os itens: Silver Sword, Silver Blade, Power Ring, Speed Ring, Defence Ring, deixando o Celice muito forte e resistente.

Obrigado! Sobre suas dúvidas: 1) Eu não consegui confirmação concreta de quem é o CEO atual da Game Freak. O pouco que descobri apontava para o Satoshi, mas é possível que ele já tenha saído sim. 2) O texto foi escrito em dezembro, antes do anúncio de Bayonetta 3. Como a ideia é lançar um listão assim a cada seis meses, acho que não vale o trabalho ficar atualizando a cada anúncio. Mas se houver demanda, posso fazer.

Belo compendium dos estúdios da Nintendo e afiliados! Só tenho duas dúvidas: 1- O Satoshi ainda é CEO da Game Freak? Pensei que ele já tinha se afastado. 2- A Platinum não está fazendo Bayonetta 3 agora?

Que bacana, o jogo parece bem legal. Só não compro porque larguei rápido o último jogo do tipo que peguei (Animal Crossing: New Leaf)

O Zelda mais zeldoso de todos

Esse é jogo é O Zelda?

Valeu :)

Realmente é algo incrível, parece até informação secreta kkkkkkk, ótimo post.

Analise justíssima, parabéns Renan! Na minha opinião, por mais que Pocket Camp seja inegávelmente a experiência mobile da Nintendo mais próxima que tivemos da “versão console”, é desnecessariamente repetitivo, incompleto e enjoativo. Além do gameplay lento (como citado na análise), não existem grandes recompensas pela progressão no jogo além de novos personagens e móveis pra construir. No fim, Pocket Camp é apenas (o pior de) New Leaf adaptado para smartphones, com 10% das funcionalidades e mecânicas free-to-play. Talvez uma atualização dê alguma tapeada na repetitividade excessiva, mas teriam que mudar tanto o jogo que nem sei se vale a pena.

Não joguei esse Zelda ainda, por isso não posso fazer comentários sobre o jogo mas sei que a Nintendo sempre capricha nos seus jogos e usa artificios muito elaborados até para as coisas mais simples, certa vez na internet achei um vídeo relacionando o construtivismo de Vygotsky com o jogo super Mario...por fim estou gostando dessa abordagem mais técnica dos jogos, sai um pouco do padrão da internet

É um openworld, no dois vc começa adolescente e vai envelhecendo, as cicatrizes permanecem, vc pode comprar casa e casar nas diferentes cidades... no terceiro muda mas as decisões são fodas, por exemplo vc procura apoio da população de uma vila pra dar o golpe no seu irmão, então vc promete uma ponte pra cidade, depois do golpe vc tem escolher entre construir a ponte e aumentar o exército da sua nação contra o inimigo do jogo ..daí sua escolha muda tudo

Eu ouvi muito de Fable na época pré-lançamento dele, mas não cheguei a jogar. Tinham muitas promessas nesse sentido mesmo, que você ia passar anos na pele do mesmo aventureiro. Ele chega a ser um openworld? E as escolhas geravam caminhos e quests diferentes?

Um jogo bem interessante mas que muita gente não gosta é Fable, vc ter uma vida, fazer escolhas que vão afetar a história é bem interessante, seria bem legal se em Zelda você pudesse desenvolver uma cidade e se tornar herói/prefeito

Rapaz, que texto. A crítica que você fez à premiação do Uncharted bate no ponto certo. As narrativas mais envolventes do universo dos games, pra mim, foram aquelas que exploraram todo o potencial de interatividade que a mídia propõe. Nada contra Uncharted e eu acho que o jogo é brilhante em vários outros aspectos, mas os exemplos citados no texto falam por si só. Enfim, gostei muito. E o site tá lindo, isso aqui é qualidade pura.

Excelente lista! O Switch é uma awesome little indie machine :)

Faltam 2 horas e estou que nem criança imaginando minha reação se eu ganhar.

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm