Análise: Everhood - Neo Fusion
Análise
Everhood
28 de abril de 2021
Cópia digital da versão de Switch cedida pela Foreign Gnomes via Stride PR.

Alguns jogos têm pouco a esconder. Bastam poucas horas para o jogador entender a natureza do que está jogando e ter uma ideia de como isso vai se desenvolver, tanto em termos de narrativa quanto de mecânicas. Outros, como Everhood, se revelam aos poucos. Nesses jogos, as coisas nem sempre são como imediatamente parecem, e suas camadas vão se desdobrando em harmonia com seu progresso.

Ao assistir um trailer de Everhood, você pode ter a impressão de que é um clone de Undertale com um combate inspirado em Guitar Hero. As influências são inegáveis, porém as formas em que elas se conectam e desenvolvem não são óbvias e acabam sendo uma constante fonte de surpresas.

Um RPG de ritmo?

Apesar da similaridade superficial com os jogos citados, Everhood não é nem RPG e nem é exatamente um jogo de ritmo. Há algumas similaridades com RPGs: navegar o mundo, interagir com personagens e completar algumas quests são elementos que normalmente associamos com RPGs, mas estão presentes aqui de forma simplificada, como um auxílio à história que o jogo quer contar.

Da mesma forma, o combate do jogo é certamente rítmico e os ataques dos oponentes seguem as músicas que acompanham as lutas. Porém, rapidamente percebe-se que o objetivo principal é evitar as notas ao invés de pegá-las, o que muda completamente a forma de pensar e interagir com o ritmo apresentado.

Isso tudo acaba sendo bacana porque o jogo nos engana a pensar uma coisa, devido aos nossos conhecimentos prévios sobre videogames, mas subverte nossas expectativas logo no começo.

Na maioria das vezes, o combate funciona bem porque as músicas usadas são divertidas e combinam com o estilo do personagem que está atacando. Há uma boa diversidade de gêneros musicais também, passando por club music, folk, rock, jazz e outros. Essa variedade é importantíssima para os combates não serem tão cansativos.

Logo no começo, Everhood sugere jogá-lo na dificuldade Hard. Eu segui o conselho durante a maior parte do jogo, mas mudei para Normal perto do final. O começo do jogo funciona bem como introdução e dá espaço para nos acostumarmos com as mecânicas; senti, porém, que a segunda metade apresentava desafios não muito consistentes.

Curiosamente, nas lutas mais difíceis, mesmo a dificuldade “modo história” não ajuda tanto: os ataques dos inimigos são os mesmos, mas você é um pouco mais resistente, então o jogo ainda requer uma porção generosa de precisão e agilidade. Algumas lutas são curtas demais e outras são longas ao ponto da exaustão. Achar um bom equilíbrio não é fácil, mas quando funciona, é muito bom.

Outra coisa interessante é que eu realmente preferi jogar este jogo no Switch em modo portátil do que na TV. Reduzir qualquer potencial atraso introduzido pelo Bluetooth e HDMI ajuda e, por muitas vezes, os visuais do jogo são psicodélicos demais para ver direito em uma tela grande.

Como eu disse no começo do texto, Everhood gosta de mudar suas regras e isso naturalmente se aplica ao combate. Não espere que as coisas permanecerão iguais do começo ao fim. No fim, tive a impressão de que o criador do jogo tinha ainda mais ideias de como sacudir as mecânicas, mas não teve tempo ou orçamento para implementar tudo.

Uma história de personagens

A narrativa de Everhood é completamente centrada ao redor dos personagens que são introduzidos. Isso envolve criaturas de diferentes espécies e mitologias que, por algum motivo, encontram-se em um lugar misterioso onde o tempo perdeu significância.

Apesar da criatividade nos personagens, achei que o mundo em si poderia ter recebido mais atenção. A direção artística do jogo frequentemente torna a navegação desagradável, já que é tudo escuro e repleto de paredes em lugares estranhos e há poucos eventos da história ligados ao mundo em si.

Aliás, é curioso que o jogo é muito rápido e fluido dentro dos combates, mas, fora deles, a movimentação é lenta e travada. Por exemplo, ter que apertar uma direção duas vezes para correr, ao invés de simplesmente segurar um botão, torna a navegação muito pior do que precisava ser.

As inspirações de Undertale aparecem bastante na história e o jogo brinca com as ideias de “pacifista” e “genocida” de formas alternativas. Porém, admito que, perto do final, parecia que o jogo estava se estendendo demais — houve uns quatro momentos com “cara de final”, mas Everhood insistia em continuar. Por não ter mais nada particularmente interessante narrativa ou mecanicamente para apresentar, um encurtamento teria sido bem-vindo por ali.

De qualquer maneira, não é um jogo particularmente longo e a variedade é sustentada ao longo de uns 90% dele. Para alguém interessado numa história cheia de personagens bizarros, músicas legais e um belo twist em jogos de ritmo, há muito para aproveitar aqui.

Everhood é um jogo criativo com várias quebras de expectativas para o jogador. Algumas questões sobre dificuldade e sua conclusão o impedem de atingir toda sua grandeza, mas continua sendo algo único e fascinante.

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Comentários

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[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 14/01/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/analise/tell-me-why/) […]

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Breath of the Wild carater família?

wishlistei

Você sabe me falar se compensa eu comprar esse ou posso jogar o original também, eu tenho o original mas não. Joguei nenhum você pode me ajudar nessa Dúvida de 259 reais kkkk

Incluindo a fonte de meu comentário.: http://www.vgchartz.com/gamedb/games.php?name=just+dance+2018&keyword=&console=&region=All&developer=&publisher=&goty_year=&genre=&boxart=Both&banner=Both&ownership=Both&results=50&order=Sales&showtotalsales=0&showtotalsales=1&showpublisher=0&showpublisher=1&showvgchartzscore=0&showvgchartzscore=1&shownasales=0&showdeveloper=0&showcriticscore=0&showcriticscore=1&showpalsales=0&showreleasedate=0&showreleasedate=1&showuserscore=0&showuserscore=1&showjapansales=0&showlastupdate=0&showlastupdate=1&showothersales=0

O que mais impressiona é que a versão mais vendida deste jogo foi a do Nintendo Switch, seguida da fucking versão de Wii! TEM GENTE COMPRANDO JUSTA DANCE PRA WII EM 218! E vendeu bem mais que no One... Dificilmente um JD 2019 vai ficar de fora do velho de guerra da Nintendo!

<3

Este jogo é fantástico! Muito bom evoluir todos os personagens. Os personagens da 2ª geração ficam ainda mais fortes. Celice, filho de Sigurd, torna-se quase um Deus, o deixei com 80 de HP, o máximo, como outros status que ficaram no seu máximo, mais os itens: Silver Sword, Silver Blade, Power Ring, Speed Ring, Defence Ring, deixando o Celice muito forte e resistente.

Obrigado! Sobre suas dúvidas: 1) Eu não consegui confirmação concreta de quem é o CEO atual da Game Freak. O pouco que descobri apontava para o Satoshi, mas é possível que ele já tenha saído sim. 2) O texto foi escrito em dezembro, antes do anúncio de Bayonetta 3. Como a ideia é lançar um listão assim a cada seis meses, acho que não vale o trabalho ficar atualizando a cada anúncio. Mas se houver demanda, posso fazer.

Belo compendium dos estúdios da Nintendo e afiliados! Só tenho duas dúvidas: 1- O Satoshi ainda é CEO da Game Freak? Pensei que ele já tinha se afastado. 2- A Platinum não está fazendo Bayonetta 3 agora?

Que bacana, o jogo parece bem legal. Só não compro porque larguei rápido o último jogo do tipo que peguei (Animal Crossing: New Leaf)

O Zelda mais zeldoso de todos

Esse é jogo é O Zelda?

Valeu :)

Realmente é algo incrível, parece até informação secreta kkkkkkk, ótimo post.

Analise justíssima, parabéns Renan! Na minha opinião, por mais que Pocket Camp seja inegávelmente a experiência mobile da Nintendo mais próxima que tivemos da “versão console”, é desnecessariamente repetitivo, incompleto e enjoativo. Além do gameplay lento (como citado na análise), não existem grandes recompensas pela progressão no jogo além de novos personagens e móveis pra construir. No fim, Pocket Camp é apenas (o pior de) New Leaf adaptado para smartphones, com 10% das funcionalidades e mecânicas free-to-play. Talvez uma atualização dê alguma tapeada na repetitividade excessiva, mas teriam que mudar tanto o jogo que nem sei se vale a pena.

Não joguei esse Zelda ainda, por isso não posso fazer comentários sobre o jogo mas sei que a Nintendo sempre capricha nos seus jogos e usa artificios muito elaborados até para as coisas mais simples, certa vez na internet achei um vídeo relacionando o construtivismo de Vygotsky com o jogo super Mario...por fim estou gostando dessa abordagem mais técnica dos jogos, sai um pouco do padrão da internet

É um openworld, no dois vc começa adolescente e vai envelhecendo, as cicatrizes permanecem, vc pode comprar casa e casar nas diferentes cidades... no terceiro muda mas as decisões são fodas, por exemplo vc procura apoio da população de uma vila pra dar o golpe no seu irmão, então vc promete uma ponte pra cidade, depois do golpe vc tem escolher entre construir a ponte e aumentar o exército da sua nação contra o inimigo do jogo ..daí sua escolha muda tudo

Eu ouvi muito de Fable na época pré-lançamento dele, mas não cheguei a jogar. Tinham muitas promessas nesse sentido mesmo, que você ia passar anos na pele do mesmo aventureiro. Ele chega a ser um openworld? E as escolhas geravam caminhos e quests diferentes?

Um jogo bem interessante mas que muita gente não gosta é Fable, vc ter uma vida, fazer escolhas que vão afetar a história é bem interessante, seria bem legal se em Zelda você pudesse desenvolver uma cidade e se tornar herói/prefeito

Rapaz, que texto. A crítica que você fez à premiação do Uncharted bate no ponto certo. As narrativas mais envolventes do universo dos games, pra mim, foram aquelas que exploraram todo o potencial de interatividade que a mídia propõe. Nada contra Uncharted e eu acho que o jogo é brilhante em vários outros aspectos, mas os exemplos citados no texto falam por si só. Enfim, gostei muito. E o site tá lindo, isso aqui é qualidade pura.

Excelente lista! O Switch é uma awesome little indie machine :)

Faltam 2 horas e estou que nem criança imaginando minha reação se eu ganhar.

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm