Análise: Far Cry 6 - Neo Fusion
Análise
Far Cry 6
6 de dezembro de 2021
Código da versão PC cedido pela Ubisoft

Um local remoto e paradisíaco, com paisagens excelentes para rechear o álbum de fotografias de férias. Tudo nele é perfeito, a não ser por um “pequeno detalhe”: o governo local é exercido por um autocrata carismático — e um pouco louco —, que tem planos de escravizar boa parte da população local como parte de atingir um objetivo grandiloquente.

Somente pelo parágrafo anterior, é difícil saber de qual jogo da série Far Cry esta análise se trata. Desde o sucesso de Far Cry 3, a Ubisoft seguiu um caminho bastante parecido com os demais capítulos da série, a ponto de muitas das “surpresas” do passado começarem a serem esperadas e, de qualidade, passarem a ser símbolo de uma espécie de “fórmula pronta e preguiçosa” que a empresa está seguindo.

Enquanto Far Cry 6 certamente segue boa parte das regras estabelecidas por seus antecessores, ele deixa de lado algumas “gordurinhas” e “regras” para criar uma experiência ainda mais livre e divertida. Você ainda assume o papel de um soldado solitário que precisa derrotar um vilão que atua como figura central da narrativa, mas o nível de liberdade e personalização oferecidos logo de cara ajudam a proporcionar uma experiência mais fresca — se não necessariamente original.

Bem-vindo ao Paraíso

Far Cry 6 nos leva à paradisíaca terra de Yara, único lugar do mundo onde cresce uma variação especial do tabaco capaz de retardar os efeitos dos mais diversos tipos de câncer. O local é dominado com mão de ferro por Antón Castillo, autocrata que chegou ao poder graças ao voto popular, mas que não demorou muito a estabelecer um domínio militar sobre a ilha. Nada muito surpreendente, visto que ele é filho do ditador que dominou o local com mão de ferro durante os anos 60.

O plano de Castillo é ganhar poder e transformar Yara em um “paraíso”, nem que para isso tenha que provocar muito sofrimento. Usando uma filosofia baseada em cidadãos “verdadeiros e falsos”, ele escraviza parte da população para trabalhar nas cada vez mais importantes plantações de tabaco — o que, naturalmente, gera a revolta de boa parte dos moradores da ilha, que passam a se organizar em diferentes milícias.

Far Cry 6

Nesse cenário, você assume o papel de Dani Rojas (football is life!), morador (ou moradora, dependendo de sua preferência) local que tenta fugir de Yara e buscar refúgio nos Estados Unidos. Após ter seus planos frustrados e seus amigos mortos pelos capatazes de Castillo, ele decide se unir às forças de oposição ao governo e fazer a revolução por meios armados.

Enquanto a história deixa claro que Rojas é mais um “facilitador” do que figura central, na prática parece que nada acontece sem sua interferência. Enquanto você pode levar a luta para o ditador logo após a introdução, o mais sábio é antes recrutar os três grandes grupos que se espalham por Yara e, embora tenham objetivos em comum, não conseguem se coordenar entre si ou confiar nas intenções dos demais revolucionários.

Atire, esfaqueie e pule de paraquedas

Enquanto a estrutura de Far Cry 6 não é exatamente diferente dos anteriores — incluindo a existência de pontos de controle e bases que podem ser conquistadas e virar pontos de viagem rápida —, me admirei com o quão rápido e direto o processo de jogar é. Após um breve tutorial, você já está viajando livremente por Yara encarando missões, coletando itens e conquistando novos armamentos que facilitam essa missão.

Um fator que ajuda a diferenciar Far Cry 6 de seus antecessores é o fato de todas as habilidades básicas estarem disponíveis desde o começo, não havendo um sistema de experiência em ação. Assim, o que passa a determinar suas especializações e “habilidades especiais” são os equipamentos e as armas que você decide usar como parte de seu arsenal.

Far Cry 6

Enquanto o jogo oferece uma quantidade generosa de armamentos “pré-montados” para você usar, é muito mais interessante você explorar o sistema de construção, desbloqueado logo nos momentos inicias. Com ele, consegui montar desde o começo um setup ótimo para me esgueirar pelos cantos e eliminar silenciosamente (e à distância) soldados inimigos antes de me embrenhar em uma área perigosa ou chegar a um ponto específico do mapa.

Conforme a história foi evoluindo e novos recursos se tornaram disponíveis, foi uma simples questão de aplicá-los da maneira que me parecia mais adequada para responder às novas ameaças que surgiam. Em meu arsenal, sempre havia uma arma de longo alcance com silenciador (e balas que destroem armaduras), uma pistola (também silenciada) e um lança-foguetes caso precisasse destruir alguns veículos.

Nas situações em que isso não funcionava, felizmente Far Cry 6 oferecia a liberdade suficiente para que eu pudesse mudar meus equipamentos e me adequar à situação. Ao final das pouco mais de 40 horas de jogo, eu tinha um arsenal de equipamentos que me permitiam agir desde um “ninja” que matava todos sem ser visto até uma máquina de guerra capaz de enfrentar de peito aberto um exército.

Além das armas e roupas coletadas, o jogo também oferece uma série de “Supremos” — equipamentos que permitem realizar diferentes ataques especiais quando uma barra é preenchida — e os “Resolver”, armamentos modificados com efeitos únicos. No entanto, o que achei mais útil foram os “Amigos”, companheiros animais que ajudam a derrotar inimigos, apontar equipamentos de vigilância e até mesmo coletar dinheiro de adversários abatidos. Enquanto o cãozinho Chorizo é o mais simpático entre as opções, foi o companheiro canino Boom Boom que se tornou o companheiro que mais usei durante o game.

Político, pero no mucho

Ao contrário do que aconteceu em jogos anteriores, nos quais a Ubisoft afirmou que “não havia elementos políticos” em tramas claramente políticas, em Far Cry 6 a empresa admitiu que se inspirou na realidade e que sim, o título possui um posicionamento. No entanto, não espere encontrar aqui nele algo realmente engajado ou com críticas muito profundas, embora algumas “alfinetadas” estejam presentes.

Far Cry 6

Desde o começo, o foco da aventura não é no sistema social ou monetário usado na ilha de Yara, mas sim nas ações de seu ditador. Assim, escravidão, lucro a todo custo e o uso de violência e ideologia para convencer as pessoas a seguirem um líder poderoso são sempre colocadas como algo essencialmente negativo.

Os desenvolvedores até aproveitam para fazer algumas críticas aos Estados Unidos, incluindo a exploração da mão-de-obra escrava negra durante centenas de anos, e ao Canadá, que tem um histórico pouco compartilhado de extermínio das populações locais. No entanto, não espere nada muito mais aprofundado do que uma “discussão de Twitter” aqui.

As críticas, quando surgem, são na base de “frases de efeito” ditas por Castillo e seus aliados para justificar suas próprias barbaridades diante de críticas feitas por outros personagens. É mais ou menos como você chegar e falar nas redes sociais que não concorda com Messi ganhando a Bola de Ouro, para alguém responder “ah, olha quem tá falando, o cara que torce para o Vasco”. Foi uma frase de efeito? Sem dúvida. Mas não adiciona muito para a discussão no final das contas.

O que acaba surpreendendo na maneira como o jogo trata política é que as soluções apresentadas não são o “preto ou branco” que costumamos ver nos jogos. A luta armada empreendida pelo jogador não é romantizada, tampouco a solução de “acabar com o ditador na bala” é vista como a panaceia de que Yara precisa para ser livre.

Far Cry 6

Embora eu tenha sentido que faltou certa profundidade na maneira como o universo é construído, fico feliz que, no final das contas, a Ubisoft preferiu deixar o jogador na dúvida quanto à efetividade de suas ações do que determinar de que tudo deu certo e o futuro é brilhante. Afinal, mesmo que a figura de sustentação de um governo seja retirada do poder, aqueles que o apoiaram e se beneficiam de sua ideologia continuam existindo, e simplesmente retirá-los do mundo (mantendo uma guerra que afeta toda uma população inocente) não é viável diante de uma realidade complexa.

Uma viagem violenta ao paraíso

Far Cry 6 é um game que, posições políticas à parte, tem como foco oferecer uma boa experiência de tiro em primeira pessoa aos jogadores. E esse objetivo sem dúvida foi cumprido pela Ubisoft, que entrega um game com uma grande variedade de possibilidades e que se adapta bem ao estilo de jogo de cada pessoa.

Far Cry 6

Minha única reclamação nesse sentido é quanto à inteligência artificial dos inimigos, especialmente durante conflitos abertos. É particularmente fácil despachar exércitos inteiros com tiros certeiros na cabeça, e foram raras às vezes em que me senti ameaçada pelo fato de um adversário pertencer às “forças especiais” do ditador de Yara — na prática, isso só significava que eles eram mais resistentes e provocavam mais dano, não que era necessário mudar de tática para abatê-los.

Embora tenha menos a dizer do que eu gostaria, Far Cry 6 é um game bastante divertido que, ao simplificar algumas das mecânicas da série, consegue trazer um ar de frescor a ela. Você não vai encontrar aqui nada revolucionário ou essencialmente diferente dos capítulos anteriores, mas o que é oferecido é mais do que suficiente para justificar passar algum tempo nas ensolaradas terras de Yara.

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Comentários

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Breath of the Wild carater família?

wishlistei

Você sabe me falar se compensa eu comprar esse ou posso jogar o original também, eu tenho o original mas não. Joguei nenhum você pode me ajudar nessa Dúvida de 259 reais kkkk

Incluindo a fonte de meu comentário.: http://www.vgchartz.com/gamedb/games.php?name=just+dance+2018&keyword=&console=&region=All&developer=&publisher=&goty_year=&genre=&boxart=Both&banner=Both&ownership=Both&results=50&order=Sales&showtotalsales=0&showtotalsales=1&showpublisher=0&showpublisher=1&showvgchartzscore=0&showvgchartzscore=1&shownasales=0&showdeveloper=0&showcriticscore=0&showcriticscore=1&showpalsales=0&showreleasedate=0&showreleasedate=1&showuserscore=0&showuserscore=1&showjapansales=0&showlastupdate=0&showlastupdate=1&showothersales=0

O que mais impressiona é que a versão mais vendida deste jogo foi a do Nintendo Switch, seguida da fucking versão de Wii! TEM GENTE COMPRANDO JUSTA DANCE PRA WII EM 218! E vendeu bem mais que no One... Dificilmente um JD 2019 vai ficar de fora do velho de guerra da Nintendo!

<3

Este jogo é fantástico! Muito bom evoluir todos os personagens. Os personagens da 2ª geração ficam ainda mais fortes. Celice, filho de Sigurd, torna-se quase um Deus, o deixei com 80 de HP, o máximo, como outros status que ficaram no seu máximo, mais os itens: Silver Sword, Silver Blade, Power Ring, Speed Ring, Defence Ring, deixando o Celice muito forte e resistente.

Obrigado! Sobre suas dúvidas: 1) Eu não consegui confirmação concreta de quem é o CEO atual da Game Freak. O pouco que descobri apontava para o Satoshi, mas é possível que ele já tenha saído sim. 2) O texto foi escrito em dezembro, antes do anúncio de Bayonetta 3. Como a ideia é lançar um listão assim a cada seis meses, acho que não vale o trabalho ficar atualizando a cada anúncio. Mas se houver demanda, posso fazer.

Belo compendium dos estúdios da Nintendo e afiliados! Só tenho duas dúvidas: 1- O Satoshi ainda é CEO da Game Freak? Pensei que ele já tinha se afastado. 2- A Platinum não está fazendo Bayonetta 3 agora?

Que bacana, o jogo parece bem legal. Só não compro porque larguei rápido o último jogo do tipo que peguei (Animal Crossing: New Leaf)

O Zelda mais zeldoso de todos

Esse é jogo é O Zelda?

Valeu :)

Realmente é algo incrível, parece até informação secreta kkkkkkk, ótimo post.

Analise justíssima, parabéns Renan! Na minha opinião, por mais que Pocket Camp seja inegávelmente a experiência mobile da Nintendo mais próxima que tivemos da “versão console”, é desnecessariamente repetitivo, incompleto e enjoativo. Além do gameplay lento (como citado na análise), não existem grandes recompensas pela progressão no jogo além de novos personagens e móveis pra construir. No fim, Pocket Camp é apenas (o pior de) New Leaf adaptado para smartphones, com 10% das funcionalidades e mecânicas free-to-play. Talvez uma atualização dê alguma tapeada na repetitividade excessiva, mas teriam que mudar tanto o jogo que nem sei se vale a pena.

Não joguei esse Zelda ainda, por isso não posso fazer comentários sobre o jogo mas sei que a Nintendo sempre capricha nos seus jogos e usa artificios muito elaborados até para as coisas mais simples, certa vez na internet achei um vídeo relacionando o construtivismo de Vygotsky com o jogo super Mario...por fim estou gostando dessa abordagem mais técnica dos jogos, sai um pouco do padrão da internet

É um openworld, no dois vc começa adolescente e vai envelhecendo, as cicatrizes permanecem, vc pode comprar casa e casar nas diferentes cidades... no terceiro muda mas as decisões são fodas, por exemplo vc procura apoio da população de uma vila pra dar o golpe no seu irmão, então vc promete uma ponte pra cidade, depois do golpe vc tem escolher entre construir a ponte e aumentar o exército da sua nação contra o inimigo do jogo ..daí sua escolha muda tudo

Eu ouvi muito de Fable na época pré-lançamento dele, mas não cheguei a jogar. Tinham muitas promessas nesse sentido mesmo, que você ia passar anos na pele do mesmo aventureiro. Ele chega a ser um openworld? E as escolhas geravam caminhos e quests diferentes?

Um jogo bem interessante mas que muita gente não gosta é Fable, vc ter uma vida, fazer escolhas que vão afetar a história é bem interessante, seria bem legal se em Zelda você pudesse desenvolver uma cidade e se tornar herói/prefeito

Rapaz, que texto. A crítica que você fez à premiação do Uncharted bate no ponto certo. As narrativas mais envolventes do universo dos games, pra mim, foram aquelas que exploraram todo o potencial de interatividade que a mídia propõe. Nada contra Uncharted e eu acho que o jogo é brilhante em vários outros aspectos, mas os exemplos citados no texto falam por si só. Enfim, gostei muito. E o site tá lindo, isso aqui é qualidade pura.

Excelente lista! O Switch é uma awesome little indie machine :)

Faltam 2 horas e estou que nem criança imaginando minha reação se eu ganhar.

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm