Análise: Fuga: Melodies of Steel 2 - Neo Fusion
Análise
Fuga: Melodies of Steel 2
19 de maio de 2023

Recriar uma experiência para ser sentida como se fosse a primeira vez é, sobretudo, uma atividade de emulação. Tomar algo apresentado em algum momento passado e reeditar eventos e interações similares é, também, um ponto bem comum de uma mídia em que iterar aspectos de regras, mecânicas, sistemas e obstáculos é parte central do ofício. Comum, mas não exclusivo, pois a experiência cultural humana é uma atividade também de mimetização, de busca de referências para se comunicar e de operação em estruturas de pensamentos similares. Por essas e outras que Metal Gear Solid 2 é uma obra importante pra caramba.

Fuga: Melodies of Steel 2 não apenas itera regras, mecânicas, sistemas e obstáculos de seu antecessor, o que faz de maneira bastante satisfatória, mas principalmente tenta entregar novamente o aspecto mais impactante do jogo de 2021. Sobre essa parte a resposta é mais complexa do que “fez bem ou não”.

Assim como o primeiro, Melodies of Steel 2 é bastante claro e compartimentarizado. Temos a fase de preparação dentro do tanque, quando é possível melhorar o veículo, buscar itens, cozinhar, interagir com os outros personagens, ver eventos de conexão entre eles, etc. Depois há a fase de atravessar o mapa enfrentando inimigos, coletando itens, passando sobre caixas para recuperar HP e SP, etc. O jogo possuí regras e fases muito bem definidas, e visualmente sabemos o tempo todo o que cada coisa é.

Batalhe em Fuga Melodies of Steel 2

A partir daí, basta ir tomando as decisões de caminhos durante o deslocamento, de canhões e dulpas a serem usados nas batalhas, de alocação de tempo e recurso dentro do tanque. Assim como o jogo anterior, aqui fazemos isso em uma dinâmica constante de risco e recompensa: ir por um caminho com inimigos mais difíceis traz risco, mas também gera mais itens para melhoria do tanque e potencialmente mais experiência para evolução dos personagens e conesquentemente melhoria do veículo a partir da subida dos atributos de cada um.

Fuga 2 traz, a partir de dinâmica e estrutura exatamente iguais, alguns pontos de iteração. Agora existe a possibilidade de chamar uma aeronave em determinados pontos do mapa. É possível comprar itens de batalha, bem como pedir pro zepelin destruir um grupo de inimigos ou deixar suprimentos em um ponto e, sobretudo, ser transportado para pontos, também pré-determinados, da área. Assim é possível realizar alguns tipos de alteração tanto no mapa quanto no percurso a ser feito. Dá, aliás, para voltar e fazer mais rotas, aumentando aí o treinamento das crianças e a captura de caixas com recursos.

Malt e Vanilla em Fuga Melodies of Steel 2

O líder, Malt, também se relaciona com um novo sistema. É possível escolher respostas aqui e alí que irão dar pontos de empatia ou resolução. Cada um dos dois caminhos dá um total de quatro habilidades, sendo impossível completar ambos em uma campanha. Essas habilidades de líder são bastante úteis em batalha, sendo ativadas atelatoriamente, porém decisivas e facilitando um pouco o processo.

Existe também uma abrangência maior de habilidades de batalha, bem como de tipos de inimigo e uma variação interessante nos chefes propostos. Como videogame com sistemas e regras e fases e tudo mais, Fuga: Melodies of Steel 2 é uma sequência bem competente. É o mesmo jogo na mesma estrutura, só que com um número maior de opções e mecânicas.

Como uma obra que mimetiza experiências já vistas, o título é mais difícil de se definir. O ponto central do primeiro era a experiência de tensão e o sentimento de fracasso ao precisar usar o Soul Cannon: arma que limpa a tela inclusive dando hit kill em chefes, mas ao custo da vida de uma de nossas crianças. Caso quem joga não esteja engajando com todos os sistemas, fazendo boas escolhas e tendo uma performance alta, a campanha é difícil o suficiente para fazer a pessoa matar um guri a partir do canhão.

Fuga Melodies of Steel 2

Fuga 2 dá um passo além, pois quando tomamos um certo dano, a prória IA do tanque já escolhe uma criança aleatoriamente e dá 20 turnos para o fim da batalha antes de atirar usando o enfante de combustível. Cria um senso de urgência e tensão na batalha que acaba sendo o ponto alto aqui. Veja, eu já conhecia o esquema e com todas as facilidades e escolhas extra da sequência, a campanha acabou sendo razoavelmente fácil. Mas, novamente, Fuga coloca o peso do fracasso e das más escolhas. Quem está jogando com domínio do processo, não vai ter problemas.

O problema maior é que as interações entre as crianças e mesmo o roteiro geral não melhoraram muito do primeiro. Aliás, as coisas são piores. Essa é uma daquelas sequências que todos os inimigos do jogo anterior agora são aliados, afinal “confrontos são só pontos de vista diferentes”. Não, não são. Confrontos e guerras são episódios e processos complexos e passa-se longe da resposta ser “ah, são só 2 pontos de vista diferentes”.

Representações iconográficas de Nazistas agora são vôvos do bem, IAs com moral ilibada, e por aí vai. Um dos antagonistas até é interessate enquanto conceito, mas não é muito bem desenvolvido. O outro é um péssimo personagem. O problema maior de Fuga 2 é que acabada a novidade da relação vista no primeiro, sobra um desenvolvimento de trama e personagens que não acompanham a elegância dos sistemas e mecânicas e sobretudo da proposta narrativa.

Aeronave em Fuga Melodies of Steel 2

Colocar as consequências a partir da forma como tocamos a campanha, do sucesso ou não de nossa performance, atreladas aos sistemas e regras, é um aspecto narrativo de primeira e é um dos espaços mais frutíferos da linguagem dos videogames. Fuga não dá, nem no primeiro e nem no segundo, finais e consequências grandes a partir de escolhas de diálogo diretas, mas a partir do engajamento da jogadora com os aspectos do jogo em si.

Mas enquanto temas são enfraquecidos, assim como desenvolvimento de personagens, o peso da coisa diminui bastante. Existe, também, uma outra regra colocada, de que após a morte de um amigo as crianças, ou algumas delas, ficam barradas de realizar eventos de conexão, diminuindo assim a força da dupla e de seus golpes em um canhão. É, novamente, algo interessante, mas não lá muito bem implementado: é muito na cara e é leniente em relação ao que barra.

Fuga Melodies of Steel 2

Fuga 2 bambeia muito nessa relação de ser extremamente claro em relação a como funciona enquanto jogo. Por um lado é parte central da experiência enquanto relação de quem joga com as regras e tudo mais, por outro diminui o impacto da descoberta, da conexão entre sistemas a partir da compreensão e observação.

Passando mais dezenas de horas com os memos personagens, todos muito fofos diga-se de passagem, é natural nos apegarmos nem que seja por tempo de tela mesmo. A leitura desse texto pode sugerir que eu não gosto dos protagonistas, o que não é o caso. Eu tenho carinho pela minha criançada, só não há muito acontecendo aqui em termos de personagens mesmo.

A mesma coisa, só que melhor, nem sempre é melhor. No caso de Fuga 2, ainda assim o resultado é um jogo bem melhor que a média.

Fuga: Melodies of Steel 2 é uma continuação bastante similar na estrutura e jogabilidade gerais. Também traz situações similares a partir de seus sistemas e mecânicas de jogo. Por um lado, o diálogo entre tais sistemas é ainda mais vasto e elegante, por outro, o peso de ser uma sequência em que a saída da novidade dá espaço para uma trama não muito empolgante com personagens não muito interessantes, mitiga o sucesso das sensações propostas. No fim do dia, a relação com o título continua similar e vai depender de como quem joga, joga.

Leia também

Síntese
Deep Beyond
20 de maio de 2024
Análise
Sand Land
POR
6 de maio de 2024
Análise
Hexguardian
POR
2 de maio de 2024

Comentários

[…] No último sábado, 13 de março, completei um ano de isolamento social. Posso contar nos dedos as vezes que saí para resolver alguma pendência obrigatória presencialmente. Pensar que o mundo mudou tanto em 365 dias me causa ansiedade. Mas, pensar como eu mudei, ou deixei de mudar, nesse período me causa mais angústia. Obviamente, não tem sido fácil para ninguém. O que restou, além das adaptações de rotina, foi reaprender a me comunicar de maneira remota. Uma dessas lições foi aprendida por meio de Stardew Valley. […]

[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 18/02/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/previa/valheim/) […]

[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 14/01/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/analise/tell-me-why/) […]

[…] a alternativa não é descartada. Até mesmo tivemos uma história inédita do marsupial em Crash Bandicoot 4: It’s About Time. Poderíamos ter uma nova versão futuramente de Crash Bash – o party game da franquia […]

[…] mas também foi possível prestigiar títulos à parte dos cartunescos, como, por exemplo, o novo Tony Hawk’s Pro Skater 1+2, que resgatou a alma de um dos jogos de esporte mais icônicos de sua geração. Embora a origem […]

[…] não sendo tão inovador e debatível quanto Her Story, o título certamente conquista um espaço importante no (já não tão popular) gênero dos […]

Breath of the Wild carater família?

wishlistei

Você sabe me falar se compensa eu comprar esse ou posso jogar o original também, eu tenho o original mas não. Joguei nenhum você pode me ajudar nessa Dúvida de 259 reais kkkk

Incluindo a fonte de meu comentário.: http://www.vgchartz.com/gamedb/games.php?name=just+dance+2018&keyword=&console=&region=All&developer=&publisher=&goty_year=&genre=&boxart=Both&banner=Both&ownership=Both&results=50&order=Sales&showtotalsales=0&showtotalsales=1&showpublisher=0&showpublisher=1&showvgchartzscore=0&showvgchartzscore=1&shownasales=0&showdeveloper=0&showcriticscore=0&showcriticscore=1&showpalsales=0&showreleasedate=0&showreleasedate=1&showuserscore=0&showuserscore=1&showjapansales=0&showlastupdate=0&showlastupdate=1&showothersales=0

O que mais impressiona é que a versão mais vendida deste jogo foi a do Nintendo Switch, seguida da fucking versão de Wii! TEM GENTE COMPRANDO JUSTA DANCE PRA WII EM 218! E vendeu bem mais que no One... Dificilmente um JD 2019 vai ficar de fora do velho de guerra da Nintendo!

<3

Este jogo é fantástico! Muito bom evoluir todos os personagens. Os personagens da 2ª geração ficam ainda mais fortes. Celice, filho de Sigurd, torna-se quase um Deus, o deixei com 80 de HP, o máximo, como outros status que ficaram no seu máximo, mais os itens: Silver Sword, Silver Blade, Power Ring, Speed Ring, Defence Ring, deixando o Celice muito forte e resistente.

Obrigado! Sobre suas dúvidas: 1) Eu não consegui confirmação concreta de quem é o CEO atual da Game Freak. O pouco que descobri apontava para o Satoshi, mas é possível que ele já tenha saído sim. 2) O texto foi escrito em dezembro, antes do anúncio de Bayonetta 3. Como a ideia é lançar um listão assim a cada seis meses, acho que não vale o trabalho ficar atualizando a cada anúncio. Mas se houver demanda, posso fazer.

Belo compendium dos estúdios da Nintendo e afiliados! Só tenho duas dúvidas: 1- O Satoshi ainda é CEO da Game Freak? Pensei que ele já tinha se afastado. 2- A Platinum não está fazendo Bayonetta 3 agora?

Que bacana, o jogo parece bem legal. Só não compro porque larguei rápido o último jogo do tipo que peguei (Animal Crossing: New Leaf)

O Zelda mais zeldoso de todos

Esse é jogo é O Zelda?

Valeu :)

Realmente é algo incrível, parece até informação secreta kkkkkkk, ótimo post.

Analise justíssima, parabéns Renan! Na minha opinião, por mais que Pocket Camp seja inegávelmente a experiência mobile da Nintendo mais próxima que tivemos da “versão console”, é desnecessariamente repetitivo, incompleto e enjoativo. Além do gameplay lento (como citado na análise), não existem grandes recompensas pela progressão no jogo além de novos personagens e móveis pra construir. No fim, Pocket Camp é apenas (o pior de) New Leaf adaptado para smartphones, com 10% das funcionalidades e mecânicas free-to-play. Talvez uma atualização dê alguma tapeada na repetitividade excessiva, mas teriam que mudar tanto o jogo que nem sei se vale a pena.

Não joguei esse Zelda ainda, por isso não posso fazer comentários sobre o jogo mas sei que a Nintendo sempre capricha nos seus jogos e usa artificios muito elaborados até para as coisas mais simples, certa vez na internet achei um vídeo relacionando o construtivismo de Vygotsky com o jogo super Mario...por fim estou gostando dessa abordagem mais técnica dos jogos, sai um pouco do padrão da internet

É um openworld, no dois vc começa adolescente e vai envelhecendo, as cicatrizes permanecem, vc pode comprar casa e casar nas diferentes cidades... no terceiro muda mas as decisões são fodas, por exemplo vc procura apoio da população de uma vila pra dar o golpe no seu irmão, então vc promete uma ponte pra cidade, depois do golpe vc tem escolher entre construir a ponte e aumentar o exército da sua nação contra o inimigo do jogo ..daí sua escolha muda tudo

Eu ouvi muito de Fable na época pré-lançamento dele, mas não cheguei a jogar. Tinham muitas promessas nesse sentido mesmo, que você ia passar anos na pele do mesmo aventureiro. Ele chega a ser um openworld? E as escolhas geravam caminhos e quests diferentes?

Um jogo bem interessante mas que muita gente não gosta é Fable, vc ter uma vida, fazer escolhas que vão afetar a história é bem interessante, seria bem legal se em Zelda você pudesse desenvolver uma cidade e se tornar herói/prefeito

Rapaz, que texto. A crítica que você fez à premiação do Uncharted bate no ponto certo. As narrativas mais envolventes do universo dos games, pra mim, foram aquelas que exploraram todo o potencial de interatividade que a mídia propõe. Nada contra Uncharted e eu acho que o jogo é brilhante em vários outros aspectos, mas os exemplos citados no texto falam por si só. Enfim, gostei muito. E o site tá lindo, isso aqui é qualidade pura.

Excelente lista! O Switch é uma awesome little indie machine :)

Faltam 2 horas e estou que nem criança imaginando minha reação se eu ganhar.

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm