Análise: Resident Evil 3 - Neo Fusion
Análise
Resident Evil 3
24 de abril de 2020
Cópia digital da versão de PC do jogo gentilmente cedida pela Capcom Brasil. Texto pode conter leves spoilers sobre ambientes e inimigos.

Dentre as características que marcaram a (quase esgotada) atual geração de consoles, destacam-se as muitas tentativas de resgatar jogos e experiências do passado. A terminologia dos ports, remasters e remakes nunca ganhou tanta relevância quanto agora. Seja lucrando a partir de consolidadas propriedades intelectuais ou para fins de preservação histórica dessa mídia, a Capcom tem se beneficiado um bocado dessa prática.

Somente em 2019, por exemplo, a empresa trouxe cinco títulos mais antigos da série Resident Evil, remasterizou Onimusha: Warlords e ainda quebrou a exclusividade da série Ace Attorney em uma coletânea multiplataforma. Ah, eu havia me esquecido de ressaltar: um excelente jogo de uma das franquias mais influentes de survival horror também foi lançado.

Especulação e expectativa

Toda vez que um novo Resident Evil é lançado, conversas e rumores em fóruns especializados sobre o próximo projeto começam a tomar forma. Dias após seu lançamento, o remake de Resident Evil 2 já era considerado um dos melhores jogos do ano e da série, fazendo grande parte dos fãs acreditar também em uma reimaginação do terceiro título da franquia.

Os ânimos foram se acalmando e se transformando em uma recepção divisiva quando Resident Evil Resistance foi anunciado como sendo a entrada planejada para o ano de 2020. Sem alarde ou qualquer antecipação concreta, o projeto multiplayer figurou o evento digital State of Play, e foi a Sony PlayStation quem mais se beneficiou do impacto desse trailer. Nascia ali o sonho de viver, mais uma vez, a última fuga de Raccoon City na pele de Jill Valentine.

A boa e velha Raccoon City

Assim como fez em 1999, Resident Evil 3 (2020) também se inspira bastante em seu antecessor. Apesar de apresentar uma proposta mais focada em ação e eventos independentes, não é visual nem tematicamente diferente do excelente Resident Evil 2 (2019). Isso é teoricamente muito bom, já que considero a aventura de Jill quase como sendo a rota C daquele jogo. Porém, não me leve a mal: de maneira alguma considero RE3 um DLC ou uma expansão propriamente dita de RE2; ele realmente se prova e sempre se provou como uma sequência.

São os detalhes que fazem de Raccoon City e suas localidades um palco perfeito para o terror e a conspiração política. Seja correndo por um pátio infestado de inimigos ou explorando uma loja abandonada, os ambientes são sempre surpreendentes. Em alguns momentos, passam uma sensação de familiaridade revitalizada, quase como nos programas de TV voltados à restauração de relíquias automotivas. Em outros, porém, adquirem um tom jamais visto graças à tecnologia da RE Engine.

Os primeiros 30 minutos de jogo são muito bem estabelecidos com suas cenas introdutórias instigantes, setpieces tão bem executados quanto no primeiro trailer do jogo e um primeiro contato memorável com personagens já conhecidos. O impressionante detalhamento da ambientação, porém, foi por água abaixo quando comecei a me dar conta da construção, disposição e coesão dos cenários.

Se RE3 já era originalmente mais direto ao ponto que RE2, agora as coisas estão ainda mais lineares. Há poucos desafios lógicos e pouca (senão nula) necessidade de revisitar salas e cenários, características essas que fazem do primeiro Resident Evil um dos meus jogos favoritos de todos os tempos. Eu me senti incomodado com a impressão de estar passando rapidamente (e armado até os dentes) pelos lugares sem ter a obrigação de estar necessariamente prestando atenção. A sequência na qual alguns ambientes são explorados mudou, refletindo negativamente em eventos pontuais da trama. A adição de uma nova área pouco memorável e subtração de um dos trechos mais significativos do clássico também pesou contra a experiência.

Sobrevivendo ao apocalipse

Resident Evil 2 (2019) trouxe o combate mais recompensador e refinado da série ao meu ver — e isso naturalmente é também uma das grandes competências de Resident Evil 3 (2020). Atirar é prazeroso e cada disparo contra os zumbis e criaturas infectadas conta, independente da dificuldade escolhida. Desmembramento e tiros na cabeça continuam sendo as abordagens mais efetivas contra esses inimigos, mas você também pode optar pela esquiva — agora muito mais simples e funcional que no jogo original.

Chegamos, porém, no principal motivo pelo qual os ambientes não funcionam tão bem estruturalmente falando: Nemesis. A terrível máquina mortífera da Umbrella foi minha maior decepção no jogo. Nemesis consegue ser, ao mesmo tempo, previsível e imprevisível. Em sua forma de “caçador das ruas”, Nemesis incessantemente persegue Jill e é completamente previsível graças a sua habilidade de desaparecer num piscar de olhos e aparecer caindo do céu em direção ao próximo portão ou corredor. É imprevisível, porém, quando usa seus tentáculos e armadilhas para derrubar a policial fugitiva enquanto ela corre para seu destino. E é muito frustrante tomar um dano inevitável, ou seja, quando sei que a culpa por aquele deslize não é minha.

Se você já se aventurou no RE2 de 2019, deve estar se perguntando se o Mr. X é comparável ao Nemesis. Definitivamente não. Para começo de conversa, o bruta-montes da RPD é sim um elemento de controle para gerar tensão às ações e deslocamento do protagonista, mas isso só ocorre após desbravarmos metade do território da delegacia. Nemesis aparece bem antes em RE3 e, a cada novo encontro, traz uma surpresa desagradável em formato de armadilha ou armamento para atrasar nossa jornada. Além disso, infelizmente nenhum dos dois tiranos chegou a cumprir o papel de quebrar paredes aleatórias para pegar o jogador desprevinido. Esse é um sonho distante (e inviável) que vai ficar para uma próxima oportunidade, talvez.

Velhos conhecidos, novas motivações

Quando o assunto é remake, as primeiras preocupações do fã de Resident Evil são furos de roteiro e revisionismo dos eventos estabelecidos nos jogos anteriores. O resultado em Resident Evil 3 (2020) é aceitável, e o desenvolvimento dos personagens certamente foi bastante beneficiado pelo game design mais moderno.

Jill está mais forte do que nunca e demonstra isso tanto em suas expressões quanto em suas falas. Outro personagem que merece elogios é Carlos Oliveira, que ganhou um cabelo estiloso e um arco narrativo bem importante para justificar alguns eventos do jogo original. O tom heróico se intensifica nos bons corações e o tom nefasto transborda da personalidade dos vilões, mas muito é conservado da obra original.

Resident Evil 3 (2020) é um bom jogo, mesmo com uma campanha não muito longa ou repleta de novos modos de jogo desbloqueáveis após a primeira aventura. A beleza de Raccoon City, mais uma vez em chamas, ofusca parte dos problemas relacionados a ritmo e exploração, mas investir em um remake a preço cheio pode não ser sua prioridade no momento. De qualquer forma, uma boa reimaginação de um clássico e uma apropriada reflexão sobre o desvairado desejo por remakes da franquia.

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Comentários

[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 18/02/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/previa/valheim/) […]

[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 14/01/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/analise/tell-me-why/) […]

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Breath of the Wild carater família?

wishlistei

Você sabe me falar se compensa eu comprar esse ou posso jogar o original também, eu tenho o original mas não. Joguei nenhum você pode me ajudar nessa Dúvida de 259 reais kkkk

Incluindo a fonte de meu comentário.: http://www.vgchartz.com/gamedb/games.php?name=just+dance+2018&keyword=&console=&region=All&developer=&publisher=&goty_year=&genre=&boxart=Both&banner=Both&ownership=Both&results=50&order=Sales&showtotalsales=0&showtotalsales=1&showpublisher=0&showpublisher=1&showvgchartzscore=0&showvgchartzscore=1&shownasales=0&showdeveloper=0&showcriticscore=0&showcriticscore=1&showpalsales=0&showreleasedate=0&showreleasedate=1&showuserscore=0&showuserscore=1&showjapansales=0&showlastupdate=0&showlastupdate=1&showothersales=0

O que mais impressiona é que a versão mais vendida deste jogo foi a do Nintendo Switch, seguida da fucking versão de Wii! TEM GENTE COMPRANDO JUSTA DANCE PRA WII EM 218! E vendeu bem mais que no One... Dificilmente um JD 2019 vai ficar de fora do velho de guerra da Nintendo!

<3

Este jogo é fantástico! Muito bom evoluir todos os personagens. Os personagens da 2ª geração ficam ainda mais fortes. Celice, filho de Sigurd, torna-se quase um Deus, o deixei com 80 de HP, o máximo, como outros status que ficaram no seu máximo, mais os itens: Silver Sword, Silver Blade, Power Ring, Speed Ring, Defence Ring, deixando o Celice muito forte e resistente.

Obrigado! Sobre suas dúvidas: 1) Eu não consegui confirmação concreta de quem é o CEO atual da Game Freak. O pouco que descobri apontava para o Satoshi, mas é possível que ele já tenha saído sim. 2) O texto foi escrito em dezembro, antes do anúncio de Bayonetta 3. Como a ideia é lançar um listão assim a cada seis meses, acho que não vale o trabalho ficar atualizando a cada anúncio. Mas se houver demanda, posso fazer.

Belo compendium dos estúdios da Nintendo e afiliados! Só tenho duas dúvidas: 1- O Satoshi ainda é CEO da Game Freak? Pensei que ele já tinha se afastado. 2- A Platinum não está fazendo Bayonetta 3 agora?

Que bacana, o jogo parece bem legal. Só não compro porque larguei rápido o último jogo do tipo que peguei (Animal Crossing: New Leaf)

O Zelda mais zeldoso de todos

Esse é jogo é O Zelda?

Valeu :)

Realmente é algo incrível, parece até informação secreta kkkkkkk, ótimo post.

Analise justíssima, parabéns Renan! Na minha opinião, por mais que Pocket Camp seja inegávelmente a experiência mobile da Nintendo mais próxima que tivemos da “versão console”, é desnecessariamente repetitivo, incompleto e enjoativo. Além do gameplay lento (como citado na análise), não existem grandes recompensas pela progressão no jogo além de novos personagens e móveis pra construir. No fim, Pocket Camp é apenas (o pior de) New Leaf adaptado para smartphones, com 10% das funcionalidades e mecânicas free-to-play. Talvez uma atualização dê alguma tapeada na repetitividade excessiva, mas teriam que mudar tanto o jogo que nem sei se vale a pena.

Não joguei esse Zelda ainda, por isso não posso fazer comentários sobre o jogo mas sei que a Nintendo sempre capricha nos seus jogos e usa artificios muito elaborados até para as coisas mais simples, certa vez na internet achei um vídeo relacionando o construtivismo de Vygotsky com o jogo super Mario...por fim estou gostando dessa abordagem mais técnica dos jogos, sai um pouco do padrão da internet

É um openworld, no dois vc começa adolescente e vai envelhecendo, as cicatrizes permanecem, vc pode comprar casa e casar nas diferentes cidades... no terceiro muda mas as decisões são fodas, por exemplo vc procura apoio da população de uma vila pra dar o golpe no seu irmão, então vc promete uma ponte pra cidade, depois do golpe vc tem escolher entre construir a ponte e aumentar o exército da sua nação contra o inimigo do jogo ..daí sua escolha muda tudo

Eu ouvi muito de Fable na época pré-lançamento dele, mas não cheguei a jogar. Tinham muitas promessas nesse sentido mesmo, que você ia passar anos na pele do mesmo aventureiro. Ele chega a ser um openworld? E as escolhas geravam caminhos e quests diferentes?

Um jogo bem interessante mas que muita gente não gosta é Fable, vc ter uma vida, fazer escolhas que vão afetar a história é bem interessante, seria bem legal se em Zelda você pudesse desenvolver uma cidade e se tornar herói/prefeito

Rapaz, que texto. A crítica que você fez à premiação do Uncharted bate no ponto certo. As narrativas mais envolventes do universo dos games, pra mim, foram aquelas que exploraram todo o potencial de interatividade que a mídia propõe. Nada contra Uncharted e eu acho que o jogo é brilhante em vários outros aspectos, mas os exemplos citados no texto falam por si só. Enfim, gostei muito. E o site tá lindo, isso aqui é qualidade pura.

Excelente lista! O Switch é uma awesome little indie machine :)

Faltam 2 horas e estou que nem criança imaginando minha reação se eu ganhar.

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm