Análise: Ys IX: Monstrum Nox - Neo Fusion
Análise
Ys IX: Monstrum Nox
22 de fevereiro de 2021
POR Luka
Cópia digital da versão de PS4 do jogo cedida pela NIS America.

Mais recente entrada em uma série com mais de 30 anos de história, Ys IX: Monstrum Nox é um jogo produzido pela Nihon Falcom, uma das empresas japonesas de maior importância da indústria, de onde vários artistas importantes surgiram — como Makoto Shinkai, conhecido pelo filme Your Name, e Tetsuya Takahashi, criador da série “Xeno”.

Essa importância como “fábrica de talentos” não se limita a isso, tendo duas séries produzidas pelo estúdio que são conhecidas e com um grupo de fãs em expansão: Trails, um JRPG de turno de história conectada e contínua, e Ys, RPGs de ação protagonizados por Adol, que enfrenta aventuras e mistérios nos quais acaba por se envolver. Ys IX é a iteração mais recente dessa tradição.

Minha experiência com a Nihon Falcom vem de Trails, série da qual sou muito fã. Gosto dos personagens, das quests e da história. Portanto, jogar Ys pela primeira vez até o final envolvia muitas expectativas.  De certa forma, o jogo entregou o que eu esperava, com alguns problemas no caminho. Ys IX acompanha Adol chegando em Balduq, uma cidade-prisão, e imediatamente sendo reconhecido por guardas devido a suas aventuras anteriores, o que leva à sua prisão. Dentro da prisão, o protagonista começa a pensar que havia algo de estranho nessa cidade e resolve fugir. No caminho da liberdade, ele se encontra com uma mulher misteriosa que lhe dá um tiro e o conforta dizendo que ele irá entender tudo com o tempo.

Com o tiro, Adol se transforma em um Monstrum (“super humano”) com a habilidade especial de se transportar para pontos específicos e, com isso, consegue fugir da prisão. O mistério por trás do que essa cidade é, o que são os Monstrums e qual o objetivo da mulher misteriosa ficam pairando por toda a narrativa até o final, onde tudo se desenrola. E, apesar de ser o “nono” título da série, conhecimento prévio não é necessário — o que foi bom pra mim, que nunca tinha zerado nenhum deles.

Depois de muita conversa, você começa a controlar Adol em Balduq, disfarçado, com cabelo pintado de azul e tudo, já que todos conhecem quem ele é. E aí, com o tempo, o jogo começa a se abrir e novos personagens se juntam ao grupo. Ys IX é um RPG de ação, então você está no controle direto dos personagens. Com um clique de botão, você troca na hora para outro membro do seu grupo e, com isso, cada personagem vai ter um tipo de ataque que permite explorar a fraqueza dos monstros — cada um possui uma específica a ele.

Essa mecânica incentiva a troca constante de personagens, evitando que você se apegue a somente um deles. Além dos ataques diretos que você pode exercer, existem skills que podem ser utilizadas, mas a quantidade de mana impede que o jogador as use excessivamente. Existe um balanço interessante e bem pensado.

O que eu pensava da série antes de jogar é que poderia ser repetitiva, com um ciclo de ficar lutando contra monstros no caminho e ser apenas isso, mas Ys IX tem diferentes tipos de momentos de jogatina. A primeira é lutar contra monstros em contextos de dungeons; a segunda, é num mundo paralelo (envolvido no mistério central do jogo), o Grimwald Nox, onde você deve defender um cristal que impede que os monstros mais poderosos alcancem Balduq. A estrutura é em rodadas que aumentam constantemente de dificuldade, com um boss no final. É uma forma de quebrar a mesmice de ficar pressionando quadrado sem parar que o jogo acaba chegando em alguns momento, principalmente em chefes. Alguns podem até ter algum elemento interessante, mas a maioria costuma ser pouco memorável.

Minha parte favorita do jogo é a exploração que as habilidades de cada Monstrum possibilita. Por exemplo, ao liberar o personagem Hawk, você pode planar e, com isso, chegar em lugares de Balduq que não podia antes. E isso se reflete nas dungeons do jogo, que são mais verticais do que esperava com minha experiência com Trails.

Explorar a cidade atrás de quests e novos locais e ir em dungeons foi o ponto mais forte do jogo justamente pela exploração vertical que as habilidades permitem. Sem contar quão simplesmente gostoso é usa as habilidades dos Monstrums. Subir nas paredes com a White Cat é algo que eu fiz em quase toda oportunidade, simplesmente por ser legal de fazer. Eu queria era mais e mais momentos como esses. E é aí que o maior problema do jogo entra e atrapalha em diversos momentos — ele não deixar você jogar.

A narrativa de Ys IX é muito intrigante. Tem muitos mistérios o tempo todo — de motivações de seus companheiros a o que está acontecendo de fato em Balduq. Quase todas as quests secundárias estão lá para engrandecer esse mistério e ajudar na construção de mundo dessa cidade. É uma construção de universo bem feita, o que não surpreendem, pois o game vêm das mesmas pessoas da série Trails. Há toda uma construção narrativa que culmina no desenrolar de tudo que está acontecendo nas horas finais. Efetivo e divertido. Personagens são humanos, cada um com seus ideais e motivos para estarem atrás do que Balduq é. O jogo leva tempo com cada um para que você os entenda e simpatize com eles, inclusive tendo um sistema de conversas que surgem após grandes acontecimentos da história no hub central do jogo.

Na primeira metade, cada capítulo é focado em um dos personagens do grupo e são todos eles são interessantes. Além de explorar o que cada um deles passa dentro dessa cidade única, a narrativa também mostra o que tem de pior e melhor na mesma. Apesar disso, em um desses capítulos, Krystal tem um dilema que achei estranho: ela rouba dinheiro dos ricos para dar para os pobres, clássica Robin Hood. Mas, diferente dele, ela se arrepende pois os cidadãos pobres ficam “vagabundos” esperando pelo dinheiro literalmente cair do céu ao invés de trabalhar. Isso prejudicou e muito simpatizar com ela. Tirando essa história, o jogo acerta, na minha visão.

E agora entra o que falei antes — apesar da ambientação ser interessantíssima, ela vira um obstáculo no caminho de jogar. Tem vezes que eu queria estar jogando, explorando ao máximo, mas me deparava  com uma enxurrada de diálogos que nem sempre adicionavam alguma coisa. A exposição excessiva acaba prendendo o jogo em ser algo maior. Um exemplo disso é um objetivo do capítulo quatro: ao invés do diálogo dar a entender que você precisa encontrar uma boneca, o jogo mostra no mapa que é isso que você tem que fazer. Se há tanto diálogo, penso que ao menos ele deveria evitar momentos como esse onde tudo é indicado de forma tão óbvia.

Ys IX é um jogo que me impressionou nas possibilidades de movimentação e exploração, nos seus mistérios e desenrolares que surpreendem, em personagens que encaixam numa cidade que é muito bem estruturada física e narrativamente. Quase todos os diálogos das quests secundárias complementavam as coisas que iam acontecendo e iam aumentando a antecipação pro desenrolar e, no fim, isso é satisfatoriamente resolvido sem precisar de sequências ou de conhecimento prévio de jogos anteriores.

Apesar de o jogo me impedir em certos momentos de pegar no controle e jogar, quando me liberava eu tinha uma experiência muito boa. É meu primeiro jogo zerado da série e fico feliz que não é só de Trails que a Falcom é feita. Se você gosta de JRPGs, Ys IX: Monstrum Nox é um jogo difícil de ignorar se você tiver de 30 a 40 horas disponíveis para isso.

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Comentários

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Breath of the Wild carater família?

wishlistei

Você sabe me falar se compensa eu comprar esse ou posso jogar o original também, eu tenho o original mas não. Joguei nenhum você pode me ajudar nessa Dúvida de 259 reais kkkk

Incluindo a fonte de meu comentário.: http://www.vgchartz.com/gamedb/games.php?name=just+dance+2018&keyword=&console=&region=All&developer=&publisher=&goty_year=&genre=&boxart=Both&banner=Both&ownership=Both&results=50&order=Sales&showtotalsales=0&showtotalsales=1&showpublisher=0&showpublisher=1&showvgchartzscore=0&showvgchartzscore=1&shownasales=0&showdeveloper=0&showcriticscore=0&showcriticscore=1&showpalsales=0&showreleasedate=0&showreleasedate=1&showuserscore=0&showuserscore=1&showjapansales=0&showlastupdate=0&showlastupdate=1&showothersales=0

O que mais impressiona é que a versão mais vendida deste jogo foi a do Nintendo Switch, seguida da fucking versão de Wii! TEM GENTE COMPRANDO JUSTA DANCE PRA WII EM 218! E vendeu bem mais que no One... Dificilmente um JD 2019 vai ficar de fora do velho de guerra da Nintendo!

<3

Este jogo é fantástico! Muito bom evoluir todos os personagens. Os personagens da 2ª geração ficam ainda mais fortes. Celice, filho de Sigurd, torna-se quase um Deus, o deixei com 80 de HP, o máximo, como outros status que ficaram no seu máximo, mais os itens: Silver Sword, Silver Blade, Power Ring, Speed Ring, Defence Ring, deixando o Celice muito forte e resistente.

Obrigado! Sobre suas dúvidas: 1) Eu não consegui confirmação concreta de quem é o CEO atual da Game Freak. O pouco que descobri apontava para o Satoshi, mas é possível que ele já tenha saído sim. 2) O texto foi escrito em dezembro, antes do anúncio de Bayonetta 3. Como a ideia é lançar um listão assim a cada seis meses, acho que não vale o trabalho ficar atualizando a cada anúncio. Mas se houver demanda, posso fazer.

Belo compendium dos estúdios da Nintendo e afiliados! Só tenho duas dúvidas: 1- O Satoshi ainda é CEO da Game Freak? Pensei que ele já tinha se afastado. 2- A Platinum não está fazendo Bayonetta 3 agora?

Que bacana, o jogo parece bem legal. Só não compro porque larguei rápido o último jogo do tipo que peguei (Animal Crossing: New Leaf)

O Zelda mais zeldoso de todos

Esse é jogo é O Zelda?

Valeu :)

Realmente é algo incrível, parece até informação secreta kkkkkkk, ótimo post.

Analise justíssima, parabéns Renan! Na minha opinião, por mais que Pocket Camp seja inegávelmente a experiência mobile da Nintendo mais próxima que tivemos da “versão console”, é desnecessariamente repetitivo, incompleto e enjoativo. Além do gameplay lento (como citado na análise), não existem grandes recompensas pela progressão no jogo além de novos personagens e móveis pra construir. No fim, Pocket Camp é apenas (o pior de) New Leaf adaptado para smartphones, com 10% das funcionalidades e mecânicas free-to-play. Talvez uma atualização dê alguma tapeada na repetitividade excessiva, mas teriam que mudar tanto o jogo que nem sei se vale a pena.

Não joguei esse Zelda ainda, por isso não posso fazer comentários sobre o jogo mas sei que a Nintendo sempre capricha nos seus jogos e usa artificios muito elaborados até para as coisas mais simples, certa vez na internet achei um vídeo relacionando o construtivismo de Vygotsky com o jogo super Mario...por fim estou gostando dessa abordagem mais técnica dos jogos, sai um pouco do padrão da internet

É um openworld, no dois vc começa adolescente e vai envelhecendo, as cicatrizes permanecem, vc pode comprar casa e casar nas diferentes cidades... no terceiro muda mas as decisões são fodas, por exemplo vc procura apoio da população de uma vila pra dar o golpe no seu irmão, então vc promete uma ponte pra cidade, depois do golpe vc tem escolher entre construir a ponte e aumentar o exército da sua nação contra o inimigo do jogo ..daí sua escolha muda tudo

Eu ouvi muito de Fable na época pré-lançamento dele, mas não cheguei a jogar. Tinham muitas promessas nesse sentido mesmo, que você ia passar anos na pele do mesmo aventureiro. Ele chega a ser um openworld? E as escolhas geravam caminhos e quests diferentes?

Um jogo bem interessante mas que muita gente não gosta é Fable, vc ter uma vida, fazer escolhas que vão afetar a história é bem interessante, seria bem legal se em Zelda você pudesse desenvolver uma cidade e se tornar herói/prefeito

Rapaz, que texto. A crítica que você fez à premiação do Uncharted bate no ponto certo. As narrativas mais envolventes do universo dos games, pra mim, foram aquelas que exploraram todo o potencial de interatividade que a mídia propõe. Nada contra Uncharted e eu acho que o jogo é brilhante em vários outros aspectos, mas os exemplos citados no texto falam por si só. Enfim, gostei muito. E o site tá lindo, isso aqui é qualidade pura.

Excelente lista! O Switch é uma awesome little indie machine :)

Faltam 2 horas e estou que nem criança imaginando minha reação se eu ganhar.

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm