Opinião: Xbox Brasil e o (des)caso Isadora Basile - Neo Fusion
Opinião
Xbox Brasil e o (des)caso Isadora Basile
21 de outubro de 2020

Quero pedir desculpas em duplicidade no início deste texto antes mesmo de começá-lo. Em primeiro lugar, desculpo-me pelo atraso. Gosto de entregar textos mais pontuais, mas esse tomou um pouco mais de tempo do que eu imaginava. Em segundo lugar, desculpo-me por não poder redigir de um local de fala apropriado. Sou um homem branco, heterossexual, cisgênero e jamais saberei como é ser alvo de insultos, assédios e de tamanho desrespeito frente a um público tão grande quanto o caso que gostaria de comentar. Mas vamos lá pois o tempo é curto e algumas questões precisam de atenção.

Quando convidada a fazer parte da equipe do Xbox Brasil, Isadora Basile foi automaticamente vítima de assédio na internet, recebendo diversas mensagens que desqualificavam seu trabalho enquanto criadora de conteúdo e que também feriam sua identidade como mulher. Algumas dessas mensagens, inclusive, eram sugestivamente ameaças de estupro, algo que particularmente me horrorizou na ocasião. De forma repugnante, a Xbox Brasil decidiu lidar com a situação da “melhor forma possível”: desligando a jovem de seu cargo de apresentadora na última sexta-feira (16).

Para completar o “combo” de situações infelizes no final de semana, o jogador/streamer brasileiro Michel “Foox” Felype desferiu comentários machistas após derrota para um equipe feminina em uma competição nacional de Valorant. Algumas horas depois, a Black Dragons se pronunciou sobre o assunto por meio de uma nota oficial, repudiando a atitude de Foox e anunciando o término do contrato com o esportista. O jogador também foi impedido de jogar campeonatos futuros, como o Spike Series.

O que mais me chamou a atenção na nota da equipe, porém, não foi como se portaram situação, bem mais sensata e respeitosa que a maneira como a Xbox Brasil decidiu lidar com os assédios contra sua ex-apresentadora. A Red Dragons desculpou-se pelos comportamentos tóxicos vividos diariamente pelas mulheres nos games, reiterando que, infelizmente, esse tipo de atitude deve ser combatido por se tratar de um problema estrutural e não pontual.  Lembro-me também da ocasião na qual a Razer Brasil se colocou contra a streamer Gabi Cattuzzo, afirmando em comunicado público que o contrato de parceira com a jovem estava prestes a vencer e que não seria renovado, posicionando-se naquele momento do lado do “gamer”. Mas, afinal, o que define essa identidade nos dias de hoje?

Bem, é daqui que gostaria de partir: deve ser horrível ser mulher e ter que lidar com problemas também nos videogames e nas comunidades desse tipo de entretenimento — como se já não houvesse uma enxurrada de fatores impeditivos e reducionistas quando mulheres tentam ocupar espaços profissionais, sociais, etc. Mesmo que dados como os da Pesquisa Game Brasil (PGB) nos últimos anos apontem para uma equiparidade de gênero (infelizmente apenas binário segundo o levantamento), é notável um certo desconforto e insegurança por parte do público feminino quando o assunto são jogos online justamente por serem alvos de assédio, injúrias e de outros tipos de atitudes machistas. A masculinidade tóxica tem sido bastante discutida no âmbito dos videogames, mas é preciso entender do que se trata para identificar até os mais rasos traços para combatê-la.

Exemplos de machismo explícito em diversas afirmações, algumas até perpetuadas no meio de games.

Entende-se por cultura machista a perpetuação estrutural de comportamentos que invalidam e diminuem os valores e direitos das mulheres. Infelizmente, não é uma exceção, como a própria nota da Red Dragons apontou. E por não se tratar de uma exceção, é imprescindível que seja combatida de forma radical e em massa. Ao longo de sua história, a sociedade, organizada da maneira como conhecemos, já se encarregou de colocar os homens em uma posição privilegiada e opressora frente às mulheres. Outro dia mesmo vi um tweet de uma mulher que, grosso modo, dizia que “toda mulher tem uma amiga que já foi abusada/assediada, mas nenhum homem tem um amigo assediador/abusador”. É uma triste realidade, mas que podemos tentar reverter o mais rápido possível com a quantidade de informação e tecnologia que temos à nossa disposição nos dias de hoje.

Toda vez que relativizamos comportamentos abusivos contra mulheres (é você, Santos Futebol Clube?), estamos um passo mais distantes da igualdade de direitos entre os gêneros. E creio que são as pequenas atitudes que mais contribuem positiva e negativamente nesse caso. Não somente nas comunidades de jogos online e nas plataformas de streaming, mas em conversas pessoais. É de extremo desrespeito abordar mulheres com perguntas perniciosas e pedantes sobre seus gostos e experiências com jogos eletrônicos, tentando encontrar brechas e inconsistências para validar seu ponto de que videogame é coisa de homem. Se esse tipo de pensamento chegou até você, é porque videogames 1) foram e são, pelo menos em parte, fruto da indústria de tecnologia, também predominantemente machista e 2) porque grande parte dos estúdios sequer se preocupa com a diversidade de gênero em suas equipes, quase sempre colocando como chefe ou presidente uma “figura masculina padrão”.

Serge Hascoët, um dos “big shots” por trás da cultura tóxica e machista presente na Ubisoft nos últimos anos.

Vocês gostam de videogames, certo? Pô, adivinha só: eu também! E é por isso mesmo que eu decidi, em um momento conturbado da minha vida, reunir uma equipe de respeito e talento para formar um projeto independente como o nosso. Entre os convidados para fazer parte dessa “turma que vai aprontar altas confusões” (juro que estou tentando dar um tom um pouco mais alegre para o texto enquanto digito desapontado), temos uma mulher: Marina Medeiros. A garota das madeixas coloridas é um orgulho para nós, e nos calarmos quando na presença de atitudes como essas seria no mínimo desprezar sua contribuição para com nosso projeto. A cena de videogames, a cada nova geração, traz promessas mil sobre melhorias e novos recursos, mas de que ainda tanta discussão sobre o “produto videogame” se parte do público é hostilizado sem qualquer motivo plausível?

O intuito desse texto, por mais informal e pouco embasado que seja, é tentar levantar um ponto importante: todos deveriam ter direitos iguais enquanto jogadores, desenvolvedores e criadores de conteúdo nessa indústria. É triste, ainda em 2020, termos que presenciar esse tipo de situação. Sigo na esperança de que, cada vez mais, possamos discutir e (quando necessário) reportar para que pautas como essa não seja esquecidas no (quase) infinito universo escapista dos jogos eletrônicos.

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Comentários

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[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 14/01/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/analise/tell-me-why/) […]

[…] a alternativa não é descartada. Até mesmo tivemos uma história inédita do marsupial em Crash Bandicoot 4: It’s About Time. Poderíamos ter uma nova versão futuramente de Crash Bash – o party game da franquia […]

[…] mas também foi possível prestigiar títulos à parte dos cartunescos, como, por exemplo, o novo Tony Hawk’s Pro Skater 1+2, que resgatou a alma de um dos jogos de esporte mais icônicos de sua geração. Embora a origem […]

[…] não sendo tão inovador e debatível quanto Her Story, o título certamente conquista um espaço importante no (já não tão popular) gênero dos […]

Breath of the Wild carater família?

wishlistei

Você sabe me falar se compensa eu comprar esse ou posso jogar o original também, eu tenho o original mas não. Joguei nenhum você pode me ajudar nessa Dúvida de 259 reais kkkk

Incluindo a fonte de meu comentário.: http://www.vgchartz.com/gamedb/games.php?name=just+dance+2018&keyword=&console=&region=All&developer=&publisher=&goty_year=&genre=&boxart=Both&banner=Both&ownership=Both&results=50&order=Sales&showtotalsales=0&showtotalsales=1&showpublisher=0&showpublisher=1&showvgchartzscore=0&showvgchartzscore=1&shownasales=0&showdeveloper=0&showcriticscore=0&showcriticscore=1&showpalsales=0&showreleasedate=0&showreleasedate=1&showuserscore=0&showuserscore=1&showjapansales=0&showlastupdate=0&showlastupdate=1&showothersales=0

O que mais impressiona é que a versão mais vendida deste jogo foi a do Nintendo Switch, seguida da fucking versão de Wii! TEM GENTE COMPRANDO JUSTA DANCE PRA WII EM 218! E vendeu bem mais que no One... Dificilmente um JD 2019 vai ficar de fora do velho de guerra da Nintendo!

<3

Este jogo é fantástico! Muito bom evoluir todos os personagens. Os personagens da 2ª geração ficam ainda mais fortes. Celice, filho de Sigurd, torna-se quase um Deus, o deixei com 80 de HP, o máximo, como outros status que ficaram no seu máximo, mais os itens: Silver Sword, Silver Blade, Power Ring, Speed Ring, Defence Ring, deixando o Celice muito forte e resistente.

Obrigado! Sobre suas dúvidas: 1) Eu não consegui confirmação concreta de quem é o CEO atual da Game Freak. O pouco que descobri apontava para o Satoshi, mas é possível que ele já tenha saído sim. 2) O texto foi escrito em dezembro, antes do anúncio de Bayonetta 3. Como a ideia é lançar um listão assim a cada seis meses, acho que não vale o trabalho ficar atualizando a cada anúncio. Mas se houver demanda, posso fazer.

Belo compendium dos estúdios da Nintendo e afiliados! Só tenho duas dúvidas: 1- O Satoshi ainda é CEO da Game Freak? Pensei que ele já tinha se afastado. 2- A Platinum não está fazendo Bayonetta 3 agora?

Que bacana, o jogo parece bem legal. Só não compro porque larguei rápido o último jogo do tipo que peguei (Animal Crossing: New Leaf)

O Zelda mais zeldoso de todos

Esse é jogo é O Zelda?

Valeu :)

Realmente é algo incrível, parece até informação secreta kkkkkkk, ótimo post.

Analise justíssima, parabéns Renan! Na minha opinião, por mais que Pocket Camp seja inegávelmente a experiência mobile da Nintendo mais próxima que tivemos da “versão console”, é desnecessariamente repetitivo, incompleto e enjoativo. Além do gameplay lento (como citado na análise), não existem grandes recompensas pela progressão no jogo além de novos personagens e móveis pra construir. No fim, Pocket Camp é apenas (o pior de) New Leaf adaptado para smartphones, com 10% das funcionalidades e mecânicas free-to-play. Talvez uma atualização dê alguma tapeada na repetitividade excessiva, mas teriam que mudar tanto o jogo que nem sei se vale a pena.

Não joguei esse Zelda ainda, por isso não posso fazer comentários sobre o jogo mas sei que a Nintendo sempre capricha nos seus jogos e usa artificios muito elaborados até para as coisas mais simples, certa vez na internet achei um vídeo relacionando o construtivismo de Vygotsky com o jogo super Mario...por fim estou gostando dessa abordagem mais técnica dos jogos, sai um pouco do padrão da internet

É um openworld, no dois vc começa adolescente e vai envelhecendo, as cicatrizes permanecem, vc pode comprar casa e casar nas diferentes cidades... no terceiro muda mas as decisões são fodas, por exemplo vc procura apoio da população de uma vila pra dar o golpe no seu irmão, então vc promete uma ponte pra cidade, depois do golpe vc tem escolher entre construir a ponte e aumentar o exército da sua nação contra o inimigo do jogo ..daí sua escolha muda tudo

Eu ouvi muito de Fable na época pré-lançamento dele, mas não cheguei a jogar. Tinham muitas promessas nesse sentido mesmo, que você ia passar anos na pele do mesmo aventureiro. Ele chega a ser um openworld? E as escolhas geravam caminhos e quests diferentes?

Um jogo bem interessante mas que muita gente não gosta é Fable, vc ter uma vida, fazer escolhas que vão afetar a história é bem interessante, seria bem legal se em Zelda você pudesse desenvolver uma cidade e se tornar herói/prefeito

Rapaz, que texto. A crítica que você fez à premiação do Uncharted bate no ponto certo. As narrativas mais envolventes do universo dos games, pra mim, foram aquelas que exploraram todo o potencial de interatividade que a mídia propõe. Nada contra Uncharted e eu acho que o jogo é brilhante em vários outros aspectos, mas os exemplos citados no texto falam por si só. Enfim, gostei muito. E o site tá lindo, isso aqui é qualidade pura.

Excelente lista! O Switch é uma awesome little indie machine :)

Faltam 2 horas e estou que nem criança imaginando minha reação se eu ganhar.

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm