Retrô: Final Fantasy Mystic Quest - Neo Fusion
Retrô
Final Fantasy Mystic Quest
8 de março de 2021
Lançado originalmente para SNES em outubro de 1992, Final Fantasy Mystic Quest foi lançado no ano seguinte no mercado japonês com o nome Final Fantasy USA: Mystic Quest. É o primeiro spin-off da franquia.

Fosse Final Fantasy Mystic Quest um daqueles livros de nome agressivo de compreensão básica sobre algum assunto, se chamaria “RPG japonês de console para idiotas”. A anedota é boa, mas a ideia aqui é pensar no jogo e em seu contexto para além do chiste. Mystic Quest é um título menos “sofisticado” em comparação aos principais da franquia em todos os quesitos, à exceção de um.

Mas mesmo nos quesitos medíocres da experiência, é possível ver que o conceito não estava errado, afinal algumas das soluções buscavam efeitos vistos em jogos que eventualmente se tornaram um grande sucesso junto ao público ocidental; Chrono Trigger, lançado em 1995, e The Legend of Zelda: A Link to the Past, lançado em 1991 no Japão e em 1992 no Ocidente.

Não estou falando, de maneira alguma, que algo como Mystic Quest influenciou um jogo lançado anteriormente a ele e nem mesmo aquele lançado posteriormente, apenas refletirei sobre como o título se reporta a soluções bem-vindas por parte do público e bem representadas em games de sucesso e qualidade inquestionável — ignoramos, aqui, ser impossível algo dependente de contexto histórico e sociabilidade possuir qualidade inquestionável.

A primeira batalha em Final Fantasy Mystic Quest

Em termos gerais, Mystic Quest descomplica a experiência e retira elementos julgados excessivos. Pode parecer que isso gera, invariavelmente, um jogo pior. Convoco dois amigos para dizer, sem sombra de dúvida, que a subtração, a limpeza de excessos e o foco no central da coisa não apenas não representam necessariamente uma degradação, como podem muito bem gerar algo excelente e importante a depender de sua proposta; Shadow of the Colossus e The Legend of Zelda (1986).

Feita toda essa introdução, reservo-me o direito de dizer que Mystic Quest não é um jogo que eu considero bom.

Qual é a do jogo Final Fantasy Mystic Quest?

Joguei o título por duas vezes, uma para escrever o texto e outra lá no passado, não sei exatamente quando, porém já havia jogado outros JRPGs do Super Nintendo. Sendo assim, em nenhum contato esta foi minha primeira experiência do tipo. Hoje, inclusive, já se vão anos experimentando inúmeros jogos do gênero e de tantos outros. Assim, é razoavelmente natural que Mystic Quest não me agrade tanto, pois ele é pensado como um “JRPG de entrada”.

Final Fantasy Mystic Quest foi criado por desenvolvedores japoneses em contato direto com escritórios e marketing americanos. A ideia era ajudar a popularizar a série nos Estados Unidos, dialogando mais com jogos de aventura sem tornar complexos demais os aspectos vistos nas versões originais japonesas da série até aqui. É possível pular e brandir a espada durante a exploração, algo inexistente na linha principal de jogos.

Essa questão do pulo e de usar a espada parece simples, mas se reporta diretamente a essa ideia de trazer jogadores de títulos de aventura para consoles. Mesmo com a existência de batalhas por turno, a proposta foi deixar a experiência mais próxima aos títulos que a Square identificava como sendo os preferidos da audiência infantil do mercado ocidental. Outra correlação, inclusive do ponto de vista da equipe, é com os primeiros jogos da série SaGa — lançados no ocidente a partir do nome Final Fantasy Legend.

Exploração em uma dungeon

Mystic Quest reedita, em certa medida, a jornada presente no Final Fantasy original de 1987. O mundo está em descompasso por conta de um vilão do mal e seus monstros estarem em posse dos cristais. Diferente dos quatro títulos anteriores, entretanto, a reviravolta final é razoavelmente simples e não pautada em um argumento mais espetaculoso — lembremos o primeiro Final Fantasy, em que descobrimos o grande vilão ser o primeiro chefe enfrentado que, ao lado dos quatro monstros, criou um loop temporal eterno, tal qual um circuito fechado de um cartucho de videogame.

A jornada, portanto, é mais simples. No controle do herói Benjamin, basta resgatar os cristais e depois enfrentar o grande vilão (revelado em uma reviravolta mais simples e óbvia). Do ponto de vista da jogabilidade, o título traz exploração dos ambientes com o já mencionado pulo acrescido do uso de itens para interagir com o ambiente. O jogo de fato se parece muito mais com um Zelda no que diz respeito à travessia e à interação com as dungeons.

Existem itens que possibilitam novas interações e caminhos, e geralmente os calabouços têm alguma ideia mais central deles. Não existem encontros aleatórios, mas os monstros aparecem na visão sendo, por vezes, obstáculos para se movimentar para algum lugar importante ou para algum baú. O jogo efetivamente faz muito mais coisas interessantes em relação aos calabouços do que nos games da série principal até aqui.

Viajando na árvore após completar o calabouço

A batalha é em turnos, não acompanhando a mudança para o ATB iniciada no Final Fantasy IV. O grupo é composto apenas pelo personagem principal e um acompanhante, e é possível atacar, usar itens e magias. As magias, assim como no primeiro FF, tem limite de usos. Os inimigos, principalmente chefes, costumam dar boas dicas visuais de em que ponto está o HP deles — número não mostrado para o jogador.

O personagem principal tem acesso a uma variedade de armas e magias, enquanto os acompanhantes são mais focados. Tais armas do personagem não apenas funcionam na batalha, como são itens de interação com o ambiente — espada corta planta, garra escala, bomba abre caminho, etc.

Há um mapa do mundo, mas não é possível guiar o jogador livremente, apenas por pontos fixos (cidades, calabouços ou estações de batalha). Sendo assim, também não existem encontros aleatórios no mapa, cabendo ao jogador enfrentar monstros apenas nas estações de batalha caso queira.

Os chefes dão retorno visual ao jogador sobre seu HP

Não existem sistemas subjacentes de customização da equipe. Não há nada muito importante que o jogador deva ficar fazendo nos menus para além de usar uma ocasional magia de cura. O título, de fato, é voltado para a interação direta do jogador com a aventura proposta.

A questão toda é que o negócio não deu muito certo. Apesar das vendas razoáveis, o jogo, em geral, não agradou muito nem o público alvo, nem os já fãs da série, não sendo o sucesso estabilizador da série no ocidente, tal qual esperado pela empresa. Sucessos maiores ainda viriam, principalmente a partir da série Chrono, Super Mario RPG e, é claro, Final Fantasy VII.

Leia também

Comentários

[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 18/02/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/previa/valheim/) […]

[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 14/01/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/analise/tell-me-why/) […]

[…] a alternativa não é descartada. Até mesmo tivemos uma história inédita do marsupial em Crash Bandicoot 4: It’s About Time. Poderíamos ter uma nova versão futuramente de Crash Bash – o party game da franquia […]

[…] mas também foi possível prestigiar títulos à parte dos cartunescos, como, por exemplo, o novo Tony Hawk’s Pro Skater 1+2, que resgatou a alma de um dos jogos de esporte mais icônicos de sua geração. Embora a origem […]

[…] não sendo tão inovador e debatível quanto Her Story, o título certamente conquista um espaço importante no (já não tão popular) gênero dos […]

Breath of the Wild carater família?

wishlistei

Você sabe me falar se compensa eu comprar esse ou posso jogar o original também, eu tenho o original mas não. Joguei nenhum você pode me ajudar nessa Dúvida de 259 reais kkkk

Incluindo a fonte de meu comentário.: http://www.vgchartz.com/gamedb/games.php?name=just+dance+2018&keyword=&console=&region=All&developer=&publisher=&goty_year=&genre=&boxart=Both&banner=Both&ownership=Both&results=50&order=Sales&showtotalsales=0&showtotalsales=1&showpublisher=0&showpublisher=1&showvgchartzscore=0&showvgchartzscore=1&shownasales=0&showdeveloper=0&showcriticscore=0&showcriticscore=1&showpalsales=0&showreleasedate=0&showreleasedate=1&showuserscore=0&showuserscore=1&showjapansales=0&showlastupdate=0&showlastupdate=1&showothersales=0

O que mais impressiona é que a versão mais vendida deste jogo foi a do Nintendo Switch, seguida da fucking versão de Wii! TEM GENTE COMPRANDO JUSTA DANCE PRA WII EM 218! E vendeu bem mais que no One... Dificilmente um JD 2019 vai ficar de fora do velho de guerra da Nintendo!

<3

Este jogo é fantástico! Muito bom evoluir todos os personagens. Os personagens da 2ª geração ficam ainda mais fortes. Celice, filho de Sigurd, torna-se quase um Deus, o deixei com 80 de HP, o máximo, como outros status que ficaram no seu máximo, mais os itens: Silver Sword, Silver Blade, Power Ring, Speed Ring, Defence Ring, deixando o Celice muito forte e resistente.

Obrigado! Sobre suas dúvidas: 1) Eu não consegui confirmação concreta de quem é o CEO atual da Game Freak. O pouco que descobri apontava para o Satoshi, mas é possível que ele já tenha saído sim. 2) O texto foi escrito em dezembro, antes do anúncio de Bayonetta 3. Como a ideia é lançar um listão assim a cada seis meses, acho que não vale o trabalho ficar atualizando a cada anúncio. Mas se houver demanda, posso fazer.

Belo compendium dos estúdios da Nintendo e afiliados! Só tenho duas dúvidas: 1- O Satoshi ainda é CEO da Game Freak? Pensei que ele já tinha se afastado. 2- A Platinum não está fazendo Bayonetta 3 agora?

Que bacana, o jogo parece bem legal. Só não compro porque larguei rápido o último jogo do tipo que peguei (Animal Crossing: New Leaf)

O Zelda mais zeldoso de todos

Esse é jogo é O Zelda?

Valeu :)

Realmente é algo incrível, parece até informação secreta kkkkkkk, ótimo post.

Analise justíssima, parabéns Renan! Na minha opinião, por mais que Pocket Camp seja inegávelmente a experiência mobile da Nintendo mais próxima que tivemos da “versão console”, é desnecessariamente repetitivo, incompleto e enjoativo. Além do gameplay lento (como citado na análise), não existem grandes recompensas pela progressão no jogo além de novos personagens e móveis pra construir. No fim, Pocket Camp é apenas (o pior de) New Leaf adaptado para smartphones, com 10% das funcionalidades e mecânicas free-to-play. Talvez uma atualização dê alguma tapeada na repetitividade excessiva, mas teriam que mudar tanto o jogo que nem sei se vale a pena.

Não joguei esse Zelda ainda, por isso não posso fazer comentários sobre o jogo mas sei que a Nintendo sempre capricha nos seus jogos e usa artificios muito elaborados até para as coisas mais simples, certa vez na internet achei um vídeo relacionando o construtivismo de Vygotsky com o jogo super Mario...por fim estou gostando dessa abordagem mais técnica dos jogos, sai um pouco do padrão da internet

É um openworld, no dois vc começa adolescente e vai envelhecendo, as cicatrizes permanecem, vc pode comprar casa e casar nas diferentes cidades... no terceiro muda mas as decisões são fodas, por exemplo vc procura apoio da população de uma vila pra dar o golpe no seu irmão, então vc promete uma ponte pra cidade, depois do golpe vc tem escolher entre construir a ponte e aumentar o exército da sua nação contra o inimigo do jogo ..daí sua escolha muda tudo

Eu ouvi muito de Fable na época pré-lançamento dele, mas não cheguei a jogar. Tinham muitas promessas nesse sentido mesmo, que você ia passar anos na pele do mesmo aventureiro. Ele chega a ser um openworld? E as escolhas geravam caminhos e quests diferentes?

Um jogo bem interessante mas que muita gente não gosta é Fable, vc ter uma vida, fazer escolhas que vão afetar a história é bem interessante, seria bem legal se em Zelda você pudesse desenvolver uma cidade e se tornar herói/prefeito

Rapaz, que texto. A crítica que você fez à premiação do Uncharted bate no ponto certo. As narrativas mais envolventes do universo dos games, pra mim, foram aquelas que exploraram todo o potencial de interatividade que a mídia propõe. Nada contra Uncharted e eu acho que o jogo é brilhante em vários outros aspectos, mas os exemplos citados no texto falam por si só. Enfim, gostei muito. E o site tá lindo, isso aqui é qualidade pura.

Excelente lista! O Switch é uma awesome little indie machine :)

Faltam 2 horas e estou que nem criança imaginando minha reação se eu ganhar.

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm