Análise: Super Mario Bros. Wonder - Neo Fusion
Análise
Super Mario Bros.
Wonder
30 de outubro de 2023

Até alguns dias atrás, alguns diriam que nenhum excelente jogo 2D do Mario foi lançado durante a minha vida. E, de fato, apesar dos quatro jogos “New” serem bastante competentes, é inegável que eles são também bem conservadores na abordagem à série, e não atingem o nível de criatividade e excelência vista em Super Mario Bros. 3Super Mario World.

Mas, bem, eu joguei Super Mario World nos meus próprios termos, em 2002 graças à versão de Game Boy Advance. Não testemunhei o lançamento do título mas ainda pude sentir diretamente tudo que havia de incrível naquele título. E de fato, quase nenhum jogo 2D conseguiu superá-lo na minha estima ao longo dos anos. Não é uma tarefa impossível — Rayman Legends e Celeste chegaram lá — mas não acontece todos os dias.

Então surge Super Mario Bros. Wonder, a primeira reinvenção na fórmula 2D do Mario desde 2006, buscando finalmente destronar o rei do Super Nintendo. Mas será que conseguiu?

Um poço de criatividade

Super Mario Bros. Wonder é uma reinvenção, mas não deixa de mostrar o DNA puxado de tantas outras aventuras do encanador. Em particular, a variedade das fases remete a Super Mario 3D World, pois elas não são fortemente vinculadas umas às outras, e cada mundo existe principalmente para dar estrutura à campanha. Já em termos de progressão, as Wonder Seeds que movimentam o progresso são familiares a quem já colecionou Power Moons em Super Mario Odyssey.

Pois ora, esses são jogos 3D! Sim, de várias formas Wonder faz para a série 2D o que 3D World fez para a 3D: trazendo elementos e características de outra dimensão. Não por acaso, também vemos um quê de Sunshine e Galaxy em algumas instâncias.

A outra coisa que Wonder faz é olhar para alguns momentos mais memoráveis da série — aqueles que acontecem pouquíssimas vezes durante um jogo — e … tenta replicar isso em todas as fases.

E de fato, Wonder exibe um nível de variedade e criatividade que daria inveja a qualquer game designer. As fases seguem muito claramente a filosofia kishōtenketsu, que existe na série Mario há décadas, foi expandida e elaborada em 3D World, e em Wonder é exacerbada. Trata-se de level design em quatro etapas: introdução, desenvolvimento, reviravolta e conclusão. Quase todas as fases introduzem conceitos novos que são apresentados, desenvolvidos e jogados fora nela própria. E, sim, alguns deles nunca voltam. Esses conceitos podem ser inimigos, tipos de plataformas, habilidades para Mario & Co., ou tantas outras coisas.

Entre essas quatro etapas, o grande foco de Wonder está na terceira: a reviravolta. Graças às Wonder Flowers, cada fase introduz um momento completamente maluco e inesperado. Parte da graça está em descobrir o que vai acontecer, porque as possibilidades parecem infinitas. Essas maluquices geralmente interagem e encaixam com a premissa básica que foi introduzida no começo da fase, dando uma vida nova e surpreendente ao conceito.

Existe criatividade demais?

O problema talvez seja que o inesperado frequente se torna esperado. Com tantas possibilidades, a insanidade total passa a se tornar parte da nossa expectativa para uma fase, ao invés de uma agradável surpresa nela. Foi nessa linha de raciocínio que me pensei muito em Super Mario World. Pelo menos na minha memória, os momentos surpreendentes daquele jogo eram bastante escondidos e existiam fora do caminho normal.

Já em Wonder, parece haver um medo do jogador não testemunhar toda sua criatividade. O jogo tem tanta imaginação própria, que não deixa espaço para a do jogador trabalhar. Raríssimas foram as vezes que terminei uma fase sem pegar todos seus colecionáveis. Mesmo em fases com saídas alternativas, eu encontrava a bandeira secreta antes da normal, porque haviam tantos sinais indicando sua existência. Nos poucos momentos que fui pego de surpresa por uma saída falsa, ou terminei a fase sem ativar a Wonder Flower… Aí sim foi um prazer revisitar a fase e entender o que eu poderia fazer diferente.

Eu não sou o mesmo de 20 anos atrás, e após jogar tanto Mario e tantos videogames, naturalmente terei uma percepção aguçada do que a fase tem a oferecer, mas realmente acho que é uma sutileza que existia em World (e também no 3) que foi perdida. Wonder é definitivamente um espetáculo, mas me parece que o jogo sempre favorece o espetáculo em detrimento de possíveis mistérios.

Um prazer nos sentidos

Fora a ausência de mistérios, o jogo é uma sequência de fases divertidíssimas e delirantes de se presenciar. O trabalho de animação é estupendo, dando um ar bidimensional aos modelos tridimensionais e deixando a estética “New” completamente para trás.

Como sempre, há novos power-ups na forma de bolhas, furadeira e, claro, o já famoso elefante. Curiosamente, o elefante parece um dos poderes menos interessantes de toda a série: torna o personagem grande e nos dá o poder da “trombada” mas, fora isso não modifica o estilo de jogo. Já a furadeira é um destaque, pois permite nos enterrarmos no chão ou no teto, passando despercebido por inimigos e encontrando diversos segredinhos.

A mecânica surpreendente é a dos broches, puxados diretamente das aventuras RPG do encanador. Com eles, podemos equipar Mario e amigos com diferentes habilidades — algumas já conhecidas como a possibilidade de planar após pulos — e algumas completamente novas que não vou detalhar aqui. Há também duas fases dedicadas a testar essas habilidades, e para mim essas são algumas das melhores do jogo, explorando muito do que é possível com as mecânicas do jogo. Nas fases normais, elas podem deixar alguns desafios mais fáceis ou permitirem uma jogabilidade divertida estilo speedrun, mas nunca são estritamente necessárias para completá-las ou mesmo pegar todos seus segredos. Duas delas em particular parecem abrir muitas possibilidades para os jogadores dedicados.

Como todo bom Mario, há uma série de fases especiais fora da campanha principal que colocam as habilidades do jogador à prova. Para eu que estava sentindo falta desses limites no jogo, as duas últimas em particular me satisfizeram completamente.

Super Mario Bros. Wonder traz um frescor às aventuras 2D do encanador que não víamos há décadas. É uma fonte interminável de ideias e criatividade e nunca deixa de ser agradável. Falta uma certa sutileza na apresentação dessas ideias, que estão sempre em primeiro plano, mas completa uma lacuna que existia há anos na biblioteca do Switch e na própria série Super Mario.

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Comentários

[…] No último sábado, 13 de março, completei um ano de isolamento social. Posso contar nos dedos as vezes que saí para resolver alguma pendência obrigatória presencialmente. Pensar que o mundo mudou tanto em 365 dias me causa ansiedade. Mas, pensar como eu mudei, ou deixei de mudar, nesse período me causa mais angústia. Obviamente, não tem sido fácil para ninguém. O que restou, além das adaptações de rotina, foi reaprender a me comunicar de maneira remota. Uma dessas lições foi aprendida por meio de Stardew Valley. […]

[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 18/02/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/previa/valheim/) […]

[…] (Texto publicado no Neo Fusion, em 14/01/2021, disponível no link: http://54.237.89.239/materia/analise/tell-me-why/) […]

[…] a alternativa não é descartada. Até mesmo tivemos uma história inédita do marsupial em Crash Bandicoot 4: It’s About Time. Poderíamos ter uma nova versão futuramente de Crash Bash – o party game da franquia […]

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[…] não sendo tão inovador e debatível quanto Her Story, o título certamente conquista um espaço importante no (já não tão popular) gênero dos […]

Breath of the Wild carater família?

wishlistei

Você sabe me falar se compensa eu comprar esse ou posso jogar o original também, eu tenho o original mas não. Joguei nenhum você pode me ajudar nessa Dúvida de 259 reais kkkk

Incluindo a fonte de meu comentário.: http://www.vgchartz.com/gamedb/games.php?name=just+dance+2018&keyword=&console=&region=All&developer=&publisher=&goty_year=&genre=&boxart=Both&banner=Both&ownership=Both&results=50&order=Sales&showtotalsales=0&showtotalsales=1&showpublisher=0&showpublisher=1&showvgchartzscore=0&showvgchartzscore=1&shownasales=0&showdeveloper=0&showcriticscore=0&showcriticscore=1&showpalsales=0&showreleasedate=0&showreleasedate=1&showuserscore=0&showuserscore=1&showjapansales=0&showlastupdate=0&showlastupdate=1&showothersales=0

O que mais impressiona é que a versão mais vendida deste jogo foi a do Nintendo Switch, seguida da fucking versão de Wii! TEM GENTE COMPRANDO JUSTA DANCE PRA WII EM 218! E vendeu bem mais que no One... Dificilmente um JD 2019 vai ficar de fora do velho de guerra da Nintendo!

<3

Este jogo é fantástico! Muito bom evoluir todos os personagens. Os personagens da 2ª geração ficam ainda mais fortes. Celice, filho de Sigurd, torna-se quase um Deus, o deixei com 80 de HP, o máximo, como outros status que ficaram no seu máximo, mais os itens: Silver Sword, Silver Blade, Power Ring, Speed Ring, Defence Ring, deixando o Celice muito forte e resistente.

Obrigado! Sobre suas dúvidas: 1) Eu não consegui confirmação concreta de quem é o CEO atual da Game Freak. O pouco que descobri apontava para o Satoshi, mas é possível que ele já tenha saído sim. 2) O texto foi escrito em dezembro, antes do anúncio de Bayonetta 3. Como a ideia é lançar um listão assim a cada seis meses, acho que não vale o trabalho ficar atualizando a cada anúncio. Mas se houver demanda, posso fazer.

Belo compendium dos estúdios da Nintendo e afiliados! Só tenho duas dúvidas: 1- O Satoshi ainda é CEO da Game Freak? Pensei que ele já tinha se afastado. 2- A Platinum não está fazendo Bayonetta 3 agora?

Que bacana, o jogo parece bem legal. Só não compro porque larguei rápido o último jogo do tipo que peguei (Animal Crossing: New Leaf)

O Zelda mais zeldoso de todos

Esse é jogo é O Zelda?

Valeu :)

Realmente é algo incrível, parece até informação secreta kkkkkkk, ótimo post.

Analise justíssima, parabéns Renan! Na minha opinião, por mais que Pocket Camp seja inegávelmente a experiência mobile da Nintendo mais próxima que tivemos da “versão console”, é desnecessariamente repetitivo, incompleto e enjoativo. Além do gameplay lento (como citado na análise), não existem grandes recompensas pela progressão no jogo além de novos personagens e móveis pra construir. No fim, Pocket Camp é apenas (o pior de) New Leaf adaptado para smartphones, com 10% das funcionalidades e mecânicas free-to-play. Talvez uma atualização dê alguma tapeada na repetitividade excessiva, mas teriam que mudar tanto o jogo que nem sei se vale a pena.

Não joguei esse Zelda ainda, por isso não posso fazer comentários sobre o jogo mas sei que a Nintendo sempre capricha nos seus jogos e usa artificios muito elaborados até para as coisas mais simples, certa vez na internet achei um vídeo relacionando o construtivismo de Vygotsky com o jogo super Mario...por fim estou gostando dessa abordagem mais técnica dos jogos, sai um pouco do padrão da internet

É um openworld, no dois vc começa adolescente e vai envelhecendo, as cicatrizes permanecem, vc pode comprar casa e casar nas diferentes cidades... no terceiro muda mas as decisões são fodas, por exemplo vc procura apoio da população de uma vila pra dar o golpe no seu irmão, então vc promete uma ponte pra cidade, depois do golpe vc tem escolher entre construir a ponte e aumentar o exército da sua nação contra o inimigo do jogo ..daí sua escolha muda tudo

Eu ouvi muito de Fable na época pré-lançamento dele, mas não cheguei a jogar. Tinham muitas promessas nesse sentido mesmo, que você ia passar anos na pele do mesmo aventureiro. Ele chega a ser um openworld? E as escolhas geravam caminhos e quests diferentes?

Um jogo bem interessante mas que muita gente não gosta é Fable, vc ter uma vida, fazer escolhas que vão afetar a história é bem interessante, seria bem legal se em Zelda você pudesse desenvolver uma cidade e se tornar herói/prefeito

Rapaz, que texto. A crítica que você fez à premiação do Uncharted bate no ponto certo. As narrativas mais envolventes do universo dos games, pra mim, foram aquelas que exploraram todo o potencial de interatividade que a mídia propõe. Nada contra Uncharted e eu acho que o jogo é brilhante em vários outros aspectos, mas os exemplos citados no texto falam por si só. Enfim, gostei muito. E o site tá lindo, isso aqui é qualidade pura.

Excelente lista! O Switch é uma awesome little indie machine :)

Faltam 2 horas e estou que nem criança imaginando minha reação se eu ganhar.

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm