Análise: Two Point Museum - Neo Fusion
Análise
Two Point Museum
13 de março de 2025
Chave do jogo recebida via Steam pela publisher

Se tem um tipo de mecânica nos jogos que eu aprecio cada vez mais são as de gerenciamento: Seja administrar minha cidade e soldados em Northgard, dividir minha atenção e melhorar o meu Dandori em Pikmin ou até mesmo conservar meus recursos e saber o que colocar no meu inventário em Resident Evil, a ideia de administrar um ambiente que potencialmente pode ficar caótico é uma ideia que me apetece bastante.

Dito isso, não é como se não tivéssemos jogos sobre administrar grandes edifícios ou paisagens: O clássico Rollercoaster Tycoon é um lendário exemplo, e jogos como Theme Park, Theme Hospital e até mesmo mais recentes como Planet Coaster ou Cities Skylines são jogos todos sobre a administração de grandes ambientes, seja um grande parque de diversões, um hospital, um zoológico, uma cidade ou outros estabelecimentos gigantescos. Seguindo nessa mesma onda é que hoje temos o exemplo mais recente – que pode ser um dos melhores: Two Point Museum.

Por favor, limpe os pés antes de entrar, temos poucos zeladores.

A EXPOSIÇÃO POR SUA MÃO

Two Point Museum é o terceiro jogo na saga de jogos de administração da Two Point, sendo os anteriores Two Point Hospital (que é um sucessor espiritual a Theme Hospital) e Two Point Campus, ambos pondo você na situação de administrar um hospital e um campus, como os nomes deixam a entender, e dessa vez estamos expandindo aos fascinantes mostruários do conhecimento humano. Two Point Museum não tem muito de uma “história”: Você foi a pessoa escolhida para cuidar do museu em Memento Mile, e cai sob sua responsabilidade garantir que esse museu tenha sucesso, agora mãos a obra e boa sorte. Esse primeiro capítulo serve como um tutorial para que você aprenda como cuidar de um museu, e o tipo de coisa que você vai precisar fazer, mas por cerca da metade do caminho você vai ter que fazer algumas coisas por si só, sendo um tutorial com um bom espaço pra um pouco de personalização pessoal.

Seu objetivo em geral é fazer com que seu museu “floresça” bem: Construa o básico que um museu precisa (sala de funcionários, bilheteria, banheiros e o que deixar o museu habitável e agradável), contrate funcionários para manter o museu funcionando, ache peças relevantes em expedições para expor no museu, atenda às necessidades do público e de seus empregados e arrecade doações para continuar expandindo o que puder. As expedições são viagens a vários cantos do mundo em busca de artefatos valiosos para seu museu, selecionáveis em um mapa com várias localidades e condições diferentes. Começa simples, apenas mande um de seus arqueólogos em viagem atrás de artefatos pré-históricos, mas as viagens vão ficando cada vez mais complexas: Elas tem um custo mais elevado, levam um tempo maior para serem completadas, possuem mais riscos de dar errado ou de um empregado sair ferido, pedem vários empregados com especializações diferentes, dentre outras condições e pedidos. Para completar o pacote, você só pode desbloquear algumas localizações de expedição quando cumpre certos objetivos no seu museu, o que impede que você tenha todas as peças desde o começo e deixa a sensação de progresso um pouco mais forte. O que você vai receber em cada expedição vai variar do quanto você se preparou, seu investimento e um pouco de sorte.

Todas as descobertas de expedição vem nessas caixas que lembram bastante abrir uma lootbox, mas sem a perda de dinheiro para cada abertura.

 

Com as peças conseguidas em expedições em seu inventário, você as expõe no museu aonde quiser, e é livre para colocar quaisquer itens de decoração e mostruários de informação ao redor da peça para aumentar o seu burburinho – que é o essencial se você quer que aquela peça chame a atenção das pessoas que entram, afinal de contas é um museu, o atrativo visual precisa ser parte da exposição. Quais itens e onde eles estão fica a seu critério, e nesse quesito, senti que Two Point Museum saciava um pouco aquela ‘coceira’ de construir e enfeitar ambientes do mesmo jeito que algo como Animal Crossing New Horizons fez. A única diferença é que aqui você precisa deixar a localização das peças um pouco mais “funcional” – lembre de deixar um espacinho para os mostruários de informação, e talvez um estande de doações para que os visitantes lembrem de doar para o museu se estiverem satisfeitos.

Se satisfeitos, eles chamarão mais pessoas, e você pode receber tipos diferentes de visitantes, incluindo crianças – que precisam de seus próprios estandes interativos, e para fazer seus estandes interativos você vai precisar de uma oficina. Para pôr esse projeto em mãos, você vai precisar de alguém no seu time que saiba operar a oficina, e enquanto você pode contratar uma pessoa a mais que tenha essa qualificação, talvez o salário a mais pese no seu lucro mensal – talvez então valha mais a pena investir um pouco no treinamento de um dos seus empregados para que ele aprenda essa qualificação. Essa é uma das possibilidades de situações com a qual você terá que lidar no museu, e existem várias situações similares onde você terá uma demanda – seja de seus empregados, um ponto para progredir no mapa de expedições ou de clientes – e vai ter que pensar se os custos valem a pena, do que você vai precisar para chegar naquela demanda e no que você vai precisar alterar em seu museu.

Decorei essa parte do museu pra ter os muros de uma caverna, mas acho que as crianças só queriam olhar pro dinossauro gigante.

 

Se você já jogou outros simuladores de gerenciamento ou algo parecido, tudo isso já deve te soar familiar, e enquanto parece estressante, creio que Two Point Museum consegue te fornecer esses possíveis problemas em doses relativamente bem espaçadas, e contanto que você mantenha a calma, não só vai conseguir administrar tudo como vai se divertir bastante fazendo isso. O fluxo de como as coisas funcionam é perfeitamente confortável: Você está bem livre para apenas observar um pouco do fluxo do museu e ficar admirando as pessoas enquanto elas olham, tiram fotos, se agarram nas peças do museu e andam para lá e para cá, rir dos comentários da supervisora soando no intercomunicador, olhar as descrições cômicas de cada peça e ocasionalmente olhar como estão suas finanças e o bem-estar dos clientes e trabalhadores – se algo precisar ser alterado, como um trabalhador que está insatisfeito por ter trabalhado demais ou algum cliente que deseja algo a mais no museu, as soluções estão a alguns cliques de distância. Algumas situações são mais urgentes, mas em um geral, o clima de Two Point Museum é bem relaxado, e você só vai ficar “no vermelho” se exagerar muito em seus gastos, e até nesse caso não é um desastre por completo – sempre há maneiras de contornar isso.

Um problema que esse tipo de simulador geralmente enfrenta é a repetitividade: Já que você está fazendo essencialmente a mesma coisa desde o começo até o fim do jogo, é natural que esse ‘loop’ de jogabilidade fique velho depois de um tempo. Entretanto, acho que Two Point Museum mais uma vez acerta bem nesse quesito: Cada setor do museu tem várias pequenas nuances, e essa variedade nas nuances mantém a jogabilidade fluida o suficiente, e quando você começa a se entediar com um museu por liberar quase tudo, Two Point Museum te põe na gerência de um museu em um lugar completamente diferente – você começa com uma exposição pré-histórica, mas logo libera lugares diferentes como um aquário, explorando peças e fósseis subaquáticos, ou coisas um pouco mais bizarras e engraçadas como uma mansão mal-assombrada (meu favorito). Esses lugares novos não só tem suas próprias peças e visual diferente como mecânicas únicas a cada local, e isso deixa a construção de cada museu diferente o suficiente para te entreter. Por exemplo, a casa mal-assombrada é próxima a um cemitério, e fantasmas vão tentar assombrar o museu, mas se você tiver as pessoas certas, pode apaziguar aqueles fantasmas e convencê-los a morar no museu: Você vai criar quartos de hotel para os fantasmas, e aqueles quartos de hotel virarão atrações principais.

Você pode conferir seu lucro mensal e o que está pesando nas contas ali no canto superior direito. E sim, 666 de lucro na mansão mal-assombrada.

 

OS PONTOS RUINS E O APELO DE MANTER UM MUSEU

Two Point Museum é relativamente complexo, como provavelmente já deu para perceber, e enquanto não acho que em geral isso seja um problema se você manter a cabeça fria, não é um jogo sem os seus problemas aqui e ali. Enquanto você explora os diferentes lugares de cada mapa, embeleza seu museu, lida com as demandas dos clientes e gerencia as necessidades e capacitações de seus empregados, algumas coisas acabam não ficando claras: Em várias situações, Two Point Museum me disse que precisávamos de mais zeladores, pois o trabalho para os zeladores que tínhamos era demais, ao que respondi por prontamente contratar mais zeladores. Alguns minutos depois, tive a mesma notificação – precisávamos de mais zeladores. O problema é que já havia contratado tanta gente nova que estava começando a ter prejuízos mensais pelo tanto de zeladores que tínhamos, e o problema continuava: Meus zeladores simplesmente estavam todos disponíveis sem limpar o que precisava ser limpo. Ao clicar em um empregado em sua lista de empregados, você pode literalmente pôr-lhe em qualquer lugar do museu, mas o jogo não deixava claro o suficiente o que precisava ser limpo, então não sabia onde por o zelador, e chegou a tal ponto que simplesmente comecei a ignorar os avisos do jogo – e consegui progredir mesmo assim, museu sujo e tudo.

Outro exemplo: Em certo ponto do meu primeiro museu, as notificações do jogo me avisaram que eu poderia gastar uma segunda moeda para desbloquear novas peças de decoração, chamada Kudosh (uma mistura de ‘kudos’ – que significa ‘renome’ – e ‘dosh’ – gíria para dinheiro). Cliquei na notificação, procurei a loja de acessórios do museu, e vi que alguns estavam bloqueados – E não entendi aonde poderia gastar meus Kudosh, já que nenhuma das opções diziam algo sobre comprar com Kudosh. Só foi depois de muito experimentar que descobri que as opções bloqueadas poderiam ser desbloqueadas com Kudosh se você clicasse nelas – e então o jogo daria a opção “desbloquear com Kudosh”. Talvez tenha faltado um pouco de experimentação de minha parte, mas sinto que o jogo não foi claro o suficiente enfatizando o que poderia ser comprado com Kudosh e como utilizar aquela moeda. Essas são algumas situações que são relativamente pequenas, mas que sinto que precisavam de mais explicação ou de um pouco mais de clareza nas notificações para entendermos melhor o que o jogo quer dizer – algo que é entendível em uma escala de tantas coisas como um jogo de administração, mas ainda são frustrações que me deixaram confuso e merecem ser apontadas.

Às vezes é meio sacal ter que lidar com algumas condições para expedições que vem mais pela frente…

 

Por fim, acho que é importante comentar que, desde o início, algumas pessoas simplesmente não vão estar de acordo com o tipo de jogo que Two Point Museum é – se você não tiver gosto por essa ideia de ter que administrar um grande museu e lidar com as finanças e pequenas decisões para manter o seu museu de pé, não acho que vai ter muito aqui para te apetecer. Mais uma vez, não acho que chega a ser particularmente estressante, já que o fluxo de Two Point Museum é relativamente bem espaçado, mas para algumas pessoas o mero ato de estar fazendo esse tipo de atividade é estressante, e vai parecer um trabalho – e tá tudo bem com isso, os jogos não precisam ter um apelo universal para todas as pessoas, mas vale mencionar que talvez simplesmente não seja o jogo para você.

Também acho que é importante mencionar para os fãs dos jogos anteriores da saga que não tenho como comparar em primeira pessoa Two Point Museum a Two Point Hospital e Campus, já que não joguei nenhum dos outros jogos da saga, e pode ser que ele não seja diferente o suficiente dos outros títulos da saga para valer o seu interesse. Dito isso, conversei com algumas pessoas que jogaram os jogos anteriores, e me parece de acordo com minhas pesquisas que Two Point Museum acerta em alguns dos detalhes com relação a variedade do que você faz e na presença das expedições. No fim das contas, acho que tem um pouco de noção da diferença no resto do corpo desse texto.

E ei, pelo menos aqui você pode ter uma família de Yetis visitando seu museu. Galera mais educada que eu vi nesse museu, diga-se de passagem.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS – DEIXE O MUSEU APENAS COM OS SEUS PRÓPRIOS OSSOS, NENHUM A MAIS

Se você tiver qualquer gosto pela ideia de administrar vários museus com várias temáticas diferentes onde você precisa administrar recursos, manejar relações com os seus empregados e clientes e enfeitar esses locais do jeito que você deseja, creio que vai achar muito para curtir em Two Point Museum. É um jogo com bastante bom humor, variedade, e é divertido e caótico em partes praticamente iguais, trazendo uma experiência bem balanceada que ainda é relativamente relaxante e envolvente. Sou bastante fã dos mínimos detalhes que foram colocados nas descrições, visuais e vários pormenores do jogo, e o bom humor das conversas no rádio e comentários da supervisora quase sempre me faziam rir – são ótimas pequenas companhias para complementar sua estadia em Two Point Museum, e sinto que se você já tiver jogado clássicos como Rollercoaster Tycoon ou Theme Hospital, vai curtir bastante o que tem aqui, seja na campanha tradicional ou no modo Sandbox que você pode usar para construir o que quiser e completar alguns objetivos a mais.

 

Essa aí não era frost-free.

 

Two Point Museum encontra um balanço bem confortável entre o caótico e o confortável, trazendo um jogo bem dinâmico com muitas opções de customização e tipos diferentes de museus para se trabalhar. Algumas mecânicas poderiam ser um pouco melhor explicadas, e se você já tiver jogado os outros jogos da saga, talvez não haja muito atrativo além da temática diferente, mas ainda é um jogo bem sólido que merece uma boa recomendação.

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Comentários

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm