Já presentes em Assassin’s Creed Valhalla na forma de alucinações vividas por Eivor, as missões do jogo que revivem trechos da mitologia nórdica ganham lugar principal em Dawn of Ragnarok. No DLC, assumimos o papel de Odin (ou Havi, como ele é mais chamado aqui), que precisa ir até o reino dos anões — Svartalfheim — em busca de seu filho Baldr.
Ele foi raptado por Surtr, rei de Muspelheim (reino equivalente a uma espécie de inferno cristão) que está usando um artefato élfico para expandir seus domínios. Pode tudo parecer um pouco confuso em um primeiro momento, mas logo fica claro qual é sua missão: encontrar um meio de resgatar Baldr, ao mesmo tempo em que liberta anões e encontra meios de parar o vilão que parece ser imortal.
A ambientação é palco para uma nova aventura que pode levar entre 20 a 30 horas para ser finalizada, dependendo do nível de exploração que você deseja fazer. A estrutura básica é essencialmente a mesma da aventura-base de AC Valhalla, incluindo os diversos ícones de cores distintas exibidos no mapa — que, felizmente, cortou algumas das “gordurinhas” do jogo, especialmente no que diz respeito a missões opcionais.
O elemento que mais faz diferença na experiência oferecida por Dawn of Ragnarok é a pulseira Hugr-Rip, obtida nos momentos iniciais do DLC. Ela é capaz de absorver a essência de inimigos, permitindo que Havi as use como forma de expandir seus poderes e ganhar novas habilidades úteis para os combates e a exploração do jogo.
Entre os poderes disponíveis, estão a transformação em um corvo (ótima para chegar rápido aos pontos que revelam o mapa), a capacidade de andar na lava e ser imune a ataques de fogo e a habilidade de congelar seus inimigos. Enquanto alguns deles são úteis somente durante os combates, a Ubisoft soube explorar a maior deles nos puzzles dos cenários, que são alguns dos melhores da série até agora.
Em minha opinião, ela só falha um pouco por muitas vezes “entregar” quais habilidades devem ser usadas para vencer um desafio. Não é como se a desenvolvedora falasse detalhadamente tudo o que é para fazer, mas assim que você chega em um lugar e vê que certo poder está disponível para absorção, logo cai a ficha de que ele vai ter um papel importante e deve ser usado.
Todos os poderes disponíveis podem ser fortalecidos com elementos obtidos a partir de inimigos abatidos e saqueando as riquezas de pontos específicos do mapa. Vale a pena gastar algum tempo fazendo isso, já que as melhorias rendem bônus bastante úteis — em específico, destaco aquele que amplia o tempo que Odin pode passar voando na forma de corvo.
Algo que fica claro desde o primeiro momento é que Dawn of Ragnarok é, essencialmente, mais Assassin’s Creed Valhalla para quem já gostou muito do jogo original. Isso não é exatamente um problema: o game é um RPG de mundo aberto competente, que traz uma boa mistura entre exploração, combate e quebra-cabeças. No entanto, fato é que sua aventura base, somada às expansões anteriores, fazem dele um jogo enorme — e 20 a 30 horas adicionais da experiência podem ser demais para algumas pessoas.
O lado bom dessa familiaridade é que, mesmo depois de ficar meses sem jogar o game, demorei poucos minutos para me acostumar novamente com seu combate e todos os seus comandos. Para variar um pouco as coisas, decidi jogar a expansão com armas e equipamentos aos quais não estava acostumado e que revelaram mais da profundidade do combate — algo que também é ajudado pelos novos conjuntos de equipamentos e armas disponíveis na expansão.
Já o lado ruim da familiaridade é que Dawn of Ragnarok não é exatamente desafiador para quem já está acostumado com o jogo original. As habilidades mais “roubadas” do game continuam sendo igualmente injustas aqui — o poder do arco de flecha que marca diversos inimigos continua sendo um atalho fácil para derrotar chefes, por exemplo.
Também não ajuda o fato de que, embora divertidas, as lutas contra chefes pecam pela ausência de mecânicas novas. Há sim conflitos que sabem usar bem os novos poderes de Odin, mas, ao mesmo tempo, ainda dá para passar de tudo com muita facilidade simplesmente se esquivando e contra-atacando, deixando de lado o uso das habilidades adicionais que estão disponíveis.
O que muda um pouco isso são os desafios das Valquírias, que reencenam algumas das principais batalhas travadas pelo maior dos deuses. Elas permitem reenfrentar alguns dos principais chefes de Assassin’s Creed Valhalla acompanhados por novos companheiros, forçando o jogador a lidar com limitadores — como a incapacidade de usar ataques a longa distância — que tornam tudo mais desafiador e as recompensas mais gostosas de serem obtidas.
Se a aventura central de Dawn of Ragnarok é bastante familiar, a decisão da Ubisoft de focar o roteiro no lado mitológico de Assassin’s Creed Valhalla é certeira. Essa se trata de uma história trágica e com diversos elementos que antecipam seu final de forma sutil, escondendo detalhes sobre os feitos passados do protagonista que explicam sua situação atual.
Ao criar uma linha narrativa única que permeia todas as missões do DLC, a Ubisoft consegue entregar uma história muito mais forte e coerente do que a do jogo principal. Ainda dá para se perder explorando o mapa, mas é muito mais difícil esquecer qual é seu objetivo principal e se distanciar do que está acontecendo — até porque os efeitos de suas ações sempre ficam muito claros.
Caso você já conheça alguma coisa de mitologia nórdica — ou tenha jogado God of War (2018) até o final —, provavelmente vai conseguir desvendar alguns desenvolvimentos da trama e reconhecer alguns de seus personagens principais. No entanto, isso serve mais como uma qualidade do que como um problema da expansão: ela é fiel à mitologia que a inspira, ao mesmo tempo em que dá um toque próprio aos eventos e temáticas tratados.
Ao fim de tudo, confesso que só sai um tanto decepcionado com a última grande batalha, que termina de forma um tanto anticlimática. Mas, ao voltar para explorar os ambientes já visitados, me deparei com uma cena que fechou o DLC com chave de ouro, fazendo uma conexão importante entre a história de Havi/Odin e a de Eivor.
Comentários
Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.
O sorteio vai ser ao vivo via live???
Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)
Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.
Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png
cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...
Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público
Agora sim vou ter meu switch o/
Sim!
Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?
Reativei minha conta só pra promoção kkkk
Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte
Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!
Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.
sera que agora ganho o
Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.
Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?
Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!
Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)
Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?
? vou seguir o Renan aqui tbm