Análise: Etrian Odyssey V: Beyond the Myth - Neo Fusion
Análise
Etrian Odyssey V: Beyond the Myth
26 de outubro de 2017

Etrian Odyssey é uma série que nos instiga a participar de uma aventura moldada a partir de gêneros clássicos. A franquia evoluiu com o passar do tempo e trouxe várias ideias interessantes, porém Etrian Odyssey V: Beyond the Myth olha para o passado e oferece uma experiência focada nos conceitos basais da série.

Entre calabouços e mapas

É importante, antes de qualquer coisa, entender qual é a proposta de Etrian Odyssey V.

Mecanicamente, em sua essência, ele é um dungeon crawler em primeira pessoa: no controle de um grupo de heróis, exploramos locais em busca de tesouro e fama. Uma característica bacana da série é que a tela sensível ao toque do portátil funciona como um papel e nela podemos desenhar um mapa, com direito a símbolos e várias anotações. Os monstros são enfrentados em combates por turnos, também em primeira pessoa. A sensação, em um primeiro momento, é de estar jogando algo de fato clássico.

O mais curioso, ainda mais em uma era que valoriza bastante narrativas complexas, é que Etrian Odyssey V praticamente não tem história. O jogador é responsável por montar um grupo e explorar o labirinto da mítica árvore Yggdrasil — aventureiros de todo o mundo vão até lá por conta de lendas sobre tesouros, poderes e mistérios. E somente isso é apresentado, não há uma trama elaborada ou personagens complexa. O visual também é bem simples e muitas das cenas são somente descritas por meio de textos.

Sendo assim, Etrian Odyssey V é um convite a mergulhar nessa jornada e construir sua própria história por meio de exploração, combate e gerenciamento de heróis. É uma experiência com lacunas preenchidas pelo próprio jogador, fazendo com que o título não seja para todos. Eu tinha receio de conhecer a série por conta da fama de ser difícil e obtusa, porém experimentei e gostei bastante, e hoje sou fã da série.

Exploração imersiva

A experiência de Etrian Odyssey V é composta por três principais fatores: gerenciamento de heróis, exploração e combate.

Antes mesmo de explorar Yggdrasil, precisamos montar uma guilda e recrutar heróis. Estão disponíveis quatro raças (humanos, elfos, criaturas-coelhos e anões) e dez classes, e os grupos de exploração comportam até cinco membros. Pela primeira vez na série, é possível customizar detalhes dos personagens, como voz, olhos e cor do cabelo, o que ajuda a deixar a equipe mais pessoal. Caso deseje, o jogador pode criar vários esquadrões distintos.

Depois de montado o grupo, é hora de adentrar o labirinto de Yggdrasil. O local é dividido em andares e o objetivo inicial é encontrar as escadas para o próximo pavimento. Além dos inimigos normais, o labirinto é habitado também por FOEs, grandes monstros com representação visual no mapa. Essas criaturas, em um primeiro momento, são extremamente perigosas e precisam ser evitadas a todo custo se você não quiser uma morte rápida.

Para mim, é nesse momento que Etrian Odyssey V começa a ficar interessante. Cada andar do jogo funciona como uma espécie de puzzle repleto de elementos. Precisamos encontrar a saída do andar e para isso é necessário superar perigos da topografia e evitar as rotas de movimentação dos FOEs — manipular indiretamente esses monstros é uma ação constante. A variedade de situações é boa e sempre me perguntei que tipo de perigo viria a seguir. Além disso, a tensão é constante e qualquer erro pode ser fatal por conta da dificuldade das batalhas e dos perigos — saber quando parar a exploração e voltar para a cidade define o sucesso ou a derrota.

Mesmo assim, depois de alguns pavimentos, pode aparecer uma sensação de repetição, pois existem alguns padrões na exploração. Por sorte, missões paralelas ajudam a trazer variedade com tarefas diferentes. Em uma, por exemplo, precisei desarmar minas mágicas somente com algumas instruções vagas. Já em outro momento, precisei memorizar uma sequência específica de passos para destruir um ninho de monstros (por mais que, no fim das contas, errei a ordem e quase fui destruído por ondas de monstros). Há, também, eventos do tipo “aventura” com pequenas escolhas que ajudam a tornar a experiência mais rica.

A mecânica de cartografia, para mim, não é muito interessante, pois desenhar esquemas minuciosamente nunca foi meu forte. Sendo assim, ativei a opção de preenchimento automático de mapa, que praticamente torna obsoleta essa característica de cartografia — o jogador só precisa colocar os pontos de interação e portas. Meu problema com os mapas vem do fato deles serem um pouco irrelevantes: eles não são necessários para resolver puzzles ou navegar por caminhos complexos. É uma pena que esse recurso seja subutilizado, pois há potencial. Um exemplo é Persona Q: Shadow of the Labyrinth (3DS), spin off que misturou Persona e Etrian Odyssey: alguns enigmas eram impossíveis de serem resolvidos sem desenhar o mapa e sem interpretar informações topográficas.

Variedade em confrontos estratégicos

O combate de Etrian Odyssey V usa o tradicional sistema por turnos muito comum em JRPGs. Em uma primeira olhada, ele pode parecer bem básico e simples, afinal cada herói tem direito a uma ação, como atacar, usar técnica especial ou defender. Entretanto, a soma de características torna o sistema de batalha bem complexo.

O foco da estratégia está na sinergia dos membros do grupo. Os heróis, quando observados individualmente, não apresentam nada de especial. As classes, porém, apresentam técnicas distintas capazes de complementar as habilidades dos outros membros. Um Botanist, por exemplo, pode enfraquecer a defesa elemental dos inimigos para que um Warlock e um Fencer utilizem melhor suas magias; um Shaman é capaz de converter benefícios dos grupos em ataques; Rovers desferem ataques conjuntos com águias e lobos . Além disso, um recurso desbloqueado durante a aventura permite especializar um pouco cada classe, trazendo ainda mais opções na hora de montar os grupos.

Uma configuração clássica é um personagem ofensivo, um defensivo, alguém capaz de curar e um guerreiro com feitiços elementais. É perfeitamente possível enfrentar os desafios com essa combinação, entretanto rapidamente você percebe que Etrian Odyssey V exige muito mais. O motivo disso é a alta dificuldade: até mesmo inimigos comuns são capazes de destruir completamente um grupo de heróis. Isso faz ser necessário testar outras combinações, sempre explorando as várias possibilidades oferecidas pela seleção de classes.

Uma novidade em Etrian V são as Union Skills, técnicas especiais que exigem a colaboração entre os membros do grupo. Essas habilidades costumam ser poderosas e úteis e, quando utilizadas no momento certo, podem virar completamente o andamento da batalha. Na prática, esse recurso não é tão novo assim, pois trata-se de uma leve alteração do sistema de Burst de Etrian Odyssey IV (3DS).

A dificuldade é brutal e há muitas ferramentas para enfrentar os perigos, contudo o jogo pouco explica seus sistemas. Sendo assim, a única maneira de saber se uma combinação funciona é testando na prática. Para novatos, isso faz com que a experiência seja um pouco frustrante por conta da dificuldade acentuada e da dedicação exigida para superar isso. Veteranos, como eu, já conhecem as particularidades dos sistemas e em pouquíssimo tempo dominam as novidades. Etrian V até apresenta dificuldade um pouco mais amena em relação aos anteriores, porém acredito que é insuficiente para ajudar de fato novos jogadores.

Envolvente, mas não muito inspirado

A combinação de exploração e combate tornam Etrian Odyssey V uma experiência imersiva. Gosto bastante de mergulhar nos labirintos de Yggdrasil em busca de tesouros, principalmente por conta da ótima ambientação proporcionada pelo visual simples e pela sensação de estar ali participando de uma aventura só minha. Essa sensação é complementada pela ótima trilha sonora de autoria de Yuzo Koshiro, que apresenta composições relaxantes nos momentos de exploração, e músicas expressivas e vibrantes nos confrontos. Mas claro, isso só acontece se você estiver disposto a aceitar a proposta do jogo, que exige imaginar algumas coisas e um bocado de dedicação.

Gostei bastante da experiência e para mim é um título bem sólido. Porém, fiquei um pouco decepcionado com a direção escolhida. Os últimos jogos da franquia introduziram novidades muito interessantes: um grande oceano a ser explorado em Etrian Odyssey III (DS), um extenso mapa-mundi repleto de pequenos calabouços em Etrian IV, facilidades de exploração em Etrian Odyssey 2 Untold: The Fafnir Knight (3DS), entre outras. O quinto episódio é bem tradicional e remete aos primeiros títulos de DS com um único labirinto imenso e praticamente nenhuma mudança na fórmula básica — as novidades, como as raças, têm impacto praticamente nulo. Foi uma oportunidade perdida de explorar alguma ideia nova, expandir o foco da franquia e, talvez, trazer novos jogadores.

Com ótimos sistemas, Etrian Odyssey V: Beyond the Myth traz uma aventura sólida e imersiva. As mecânicas oferecem várias possibilidades tanto na exploração quanto no combate, porém a curva de aprendizado é acentuada e nada amigável para novatos. Aqueles que gostam de um bom desafio e JRPGs vão se divertir bastante com esse jogo.

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Comentários

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Breath of the Wild carater família?

wishlistei

Você sabe me falar se compensa eu comprar esse ou posso jogar o original também, eu tenho o original mas não. Joguei nenhum você pode me ajudar nessa Dúvida de 259 reais kkkk

Incluindo a fonte de meu comentário.: http://www.vgchartz.com/gamedb/games.php?name=just+dance+2018&keyword=&console=&region=All&developer=&publisher=&goty_year=&genre=&boxart=Both&banner=Both&ownership=Both&results=50&order=Sales&showtotalsales=0&showtotalsales=1&showpublisher=0&showpublisher=1&showvgchartzscore=0&showvgchartzscore=1&shownasales=0&showdeveloper=0&showcriticscore=0&showcriticscore=1&showpalsales=0&showreleasedate=0&showreleasedate=1&showuserscore=0&showuserscore=1&showjapansales=0&showlastupdate=0&showlastupdate=1&showothersales=0

O que mais impressiona é que a versão mais vendida deste jogo foi a do Nintendo Switch, seguida da fucking versão de Wii! TEM GENTE COMPRANDO JUSTA DANCE PRA WII EM 218! E vendeu bem mais que no One... Dificilmente um JD 2019 vai ficar de fora do velho de guerra da Nintendo!

<3

Este jogo é fantástico! Muito bom evoluir todos os personagens. Os personagens da 2ª geração ficam ainda mais fortes. Celice, filho de Sigurd, torna-se quase um Deus, o deixei com 80 de HP, o máximo, como outros status que ficaram no seu máximo, mais os itens: Silver Sword, Silver Blade, Power Ring, Speed Ring, Defence Ring, deixando o Celice muito forte e resistente.

Obrigado! Sobre suas dúvidas: 1) Eu não consegui confirmação concreta de quem é o CEO atual da Game Freak. O pouco que descobri apontava para o Satoshi, mas é possível que ele já tenha saído sim. 2) O texto foi escrito em dezembro, antes do anúncio de Bayonetta 3. Como a ideia é lançar um listão assim a cada seis meses, acho que não vale o trabalho ficar atualizando a cada anúncio. Mas se houver demanda, posso fazer.

Belo compendium dos estúdios da Nintendo e afiliados! Só tenho duas dúvidas: 1- O Satoshi ainda é CEO da Game Freak? Pensei que ele já tinha se afastado. 2- A Platinum não está fazendo Bayonetta 3 agora?

Que bacana, o jogo parece bem legal. Só não compro porque larguei rápido o último jogo do tipo que peguei (Animal Crossing: New Leaf)

O Zelda mais zeldoso de todos

Esse é jogo é O Zelda?

Valeu :)

Realmente é algo incrível, parece até informação secreta kkkkkkk, ótimo post.

Analise justíssima, parabéns Renan! Na minha opinião, por mais que Pocket Camp seja inegávelmente a experiência mobile da Nintendo mais próxima que tivemos da “versão console”, é desnecessariamente repetitivo, incompleto e enjoativo. Além do gameplay lento (como citado na análise), não existem grandes recompensas pela progressão no jogo além de novos personagens e móveis pra construir. No fim, Pocket Camp é apenas (o pior de) New Leaf adaptado para smartphones, com 10% das funcionalidades e mecânicas free-to-play. Talvez uma atualização dê alguma tapeada na repetitividade excessiva, mas teriam que mudar tanto o jogo que nem sei se vale a pena.

Não joguei esse Zelda ainda, por isso não posso fazer comentários sobre o jogo mas sei que a Nintendo sempre capricha nos seus jogos e usa artificios muito elaborados até para as coisas mais simples, certa vez na internet achei um vídeo relacionando o construtivismo de Vygotsky com o jogo super Mario...por fim estou gostando dessa abordagem mais técnica dos jogos, sai um pouco do padrão da internet

É um openworld, no dois vc começa adolescente e vai envelhecendo, as cicatrizes permanecem, vc pode comprar casa e casar nas diferentes cidades... no terceiro muda mas as decisões são fodas, por exemplo vc procura apoio da população de uma vila pra dar o golpe no seu irmão, então vc promete uma ponte pra cidade, depois do golpe vc tem escolher entre construir a ponte e aumentar o exército da sua nação contra o inimigo do jogo ..daí sua escolha muda tudo

Eu ouvi muito de Fable na época pré-lançamento dele, mas não cheguei a jogar. Tinham muitas promessas nesse sentido mesmo, que você ia passar anos na pele do mesmo aventureiro. Ele chega a ser um openworld? E as escolhas geravam caminhos e quests diferentes?

Um jogo bem interessante mas que muita gente não gosta é Fable, vc ter uma vida, fazer escolhas que vão afetar a história é bem interessante, seria bem legal se em Zelda você pudesse desenvolver uma cidade e se tornar herói/prefeito

Rapaz, que texto. A crítica que você fez à premiação do Uncharted bate no ponto certo. As narrativas mais envolventes do universo dos games, pra mim, foram aquelas que exploraram todo o potencial de interatividade que a mídia propõe. Nada contra Uncharted e eu acho que o jogo é brilhante em vários outros aspectos, mas os exemplos citados no texto falam por si só. Enfim, gostei muito. E o site tá lindo, isso aqui é qualidade pura.

Excelente lista! O Switch é uma awesome little indie machine :)

Faltam 2 horas e estou que nem criança imaginando minha reação se eu ganhar.

Olha... excelente texto. Esse é um problema que eu já vinha discutindo em meus círculos de amizade ha um bom tempo. Isso fica ainda mais evidente quando percebe-se a necessidade das grandes publishers de seguirem tendencias mais lucrativas não afetam apenas o game design em si, mas também as temáticas, narrativas, e até mesmo a direção de arte dos games. Vide a enxurrada de jogos de zumbis que tivemos na geração passada... Por falar em indies, eu vejo muito potencial para que os próximos AAA inovadores saiam deles. O orçamento ainda é um problema, mas financiamento coletivo já é uma realidade. Acredito que equipes extremamente competentes e comprometidas consigam levantar fundos para levar adiante o desenvolvimento de jogos desse nível.

O sorteio vai ser ao vivo via live???

Obrigado Igor! Seja bem-vindo ao Nintendo Fusion :)

Rapaz, que texto foda! Parabéns Renan! Fico cada mais feliz em ser Nintendista em tempos como esse (apesar de ainda não ter um Switch), saber que a Nintendo rema pesado contra essa maré cheia de lixo. Recentemente o designer da BioWare, Manveer Heir (Mass Effect) compartilhou que a EA só tem foco mesmo nas microtransações, que ainda viu gente gastando 15 mil dolares com cards de multiplayer do Mass Effect 3. Pra piorar agora tem o sistema de Loot Box, que está na moda, e a Warner empolgou com o Shadow of Mordor. Loot Box pra fechar campanha ou pra tentar competir online nos jogos, pra mim isso é praticamente o fim. A única esperança que tenho nessa industria que amo tanto são mesmo nos indies, Nintendo e algumas empresas. Espero que a Activision não estrague a Blizzard, pq apesar de Overwatch ter Loot Box, são completamente cosméticos, e eu acho isso bom até, pq jogar pra desbloquear coisas visuais é muito mais interessante e prazeroso que jogar pra tentar a sorte com um item específico pra ser mais competitivo com upgrades no status do personagem.

Não aparece para você no começo do texto? https://uploads.disquscdn.com/images/b809b035a7e4e21875dfe6af44cc2d10dccbe7c3eea556e1be57fe8018d72a32.png

cadê o tal formulário do Gleam? não vi link nenhum no texto... tá mal explicado isso...

Das publicadoras de games, a EA é sem duvidas a pior. Não foi atoa que foi escolhida como a pior empresa americana por dois anos consecutivos. Não quero parecer um hater, mas é essa filosofia de shooters multimilionários, com gráficos de ponta e extorquimento de dinheiro dos consumidores é que vai fazê-los fechar as portas. Isso fica evidente com o “apoio” da empresa ao Switch, não souberam mais uma vez ler o sucesso do console, e repetem os mesmos erros de uma década: investir pesado em gêneros supersaturados. E é interessante notar como o Iwata foi capaz de enxergar uma realidade mais de uma década á sua frente, e feliz que cada vez mais empresas adotam essa estratégia: jogos de menor orçamento e maior foco no público

Agora sim vou ter meu switch o/

Sim!

Qual é a exceção "imperdoável"? Chrono Trigger?

Reativei minha conta só pra promoção kkkk

Cara, não uso Twitter. Até tenho, mas nem lembro senha nem nada. Vamos ver se tenho sorte

Parabéns à todos nessa nova empreitada, o site é promissor!

Acho que o único defeito desse game foi ter requentado muitas fases, poderia ter sido apenas a GHZ, por exemplo. Mas fora isso é impecável.

sera que agora ganho o

Precisa compartilhar no Facebook. Nos outros lugares é opcional.

Eu preciso compartilhar o sorteio pelo facebook? Ou é preciso compartilhar em outro lugar?

Felipe Sagrado escreva-se em tudo para aumenta a change brother!!!!

Você pode participar sim, só não vai poder obter os dois cupons relacionados ao Twitter. :)

Boa tarde. Eu não uso o Twitter, então gostaria de saber se isso impede minha participação ou só diminui minhas chances?

? vou seguir o Renan aqui tbm